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História Geral

China comunista (4)

Deng Xiaoping promove reformas econômicas

Renato Cancian*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Reprodução

O líder Deng Xiaoping que tornou o país uma potência econômica

A Guarda Vermelha, formada por milhões de jovens militantes, se dedicava à doutrinação socialista. Não era, porém, um agrupamento juvenil coeso e disso resultou o surgimento de facções rivais que lutaram entre si, agravando ainda mais o conflito político.

No início dos anos 70, a selvageria e desordem provocadas na sociedade chinesa pela atuação dos militantes da Guarda Vermelha trouxeram enormes problemas políticos para Mao Tsé-Tung. No seio do ELP e do PCCh surgiram críticas cada vez mais contundentes diante do caos e descontrole social e político provocados pelas ações da Guarda Vermelha.

Mao se curvou aos críticos e ordenou o desmonte da Guarda Vermelha e a desmobilização e dispersão dos 18 milhões de jovens. Gradualmente, Mao reconduziu a política chinesa de volta ao centro e reconheceu a necessidade do Estado e da nação chinesa de contar com o apoio de todos os cientistas, técnicos especializados, administradores e educadores que haviam sido purgados e exilados.

Richard Nixon na China e as mudanças na política externa

Na área das relações internacionais, novos conflitos fronteiriços envolvendo a URSS também tiveram influência na mudança da política externa chinesa. A China se aproximou do Ocidente e adotou a doutrina de coexistência pacífica, aceitando o estabelecimento de relações amigáveis com países que tinham sistemas políticos e econômicos distintos.

O ato mais emblemático da reorientação da política externa chinesa foi a visita do então presidente dos EUA, Richard Nixon, à China, em 1972. A Revolução Cultural terminou oficialmente em 1976, ano em que Mao Tsé-Tung morreu, aos 92 anos.

Luta pelo poder

A morte de Mao Tsé-Tung reacendeu a luta pelo poder dentro do PCCh. O conflito partidário foi breve. A facção de direita (ou seja, os comunistas pragmáticos) obteve uma expressiva vitória. Os novos dirigentes desfecharam uma perseguição contra as facções mais radicais de esquerda. A esposa de Mao e seus aliados mais próximos, por exemplo, foram banidos definitivamente da política chinesa.

O Comitê Central do PCCh tornou público um relatório em que assinalava: "A história mostrou que a Revolução Cultural, laborando em erro e capitalizada por claques contra-revolucionárias, levou à comoção intestina e trouxe a catástrofe para o Partido, para o Estado e para todo o povo".

Na perspectiva do líder revolucionário Mao Tsé-Tung, porém, temia-se que a burocratização e a apatia política e social se consolidassem. Por isso, em toda sua vida, Mao defendeu com bastante veemência que a sociedade chinesa fosse abalada com freqüência por movimentos de massa, como aquele promovido pela Revolução Cultural.

China como potência econômica mundial

Com a morte de Mao, Deng Xiaoping se torna secretário-geral do PCCh e se transforma no dirigente máximo da China, governando o país de 1976 a 1997. Deng Xiaoping promoveu inúmeras reformas econômicas, cujo desdobramento depois de uma década foi a implantação de uma economia de mercado nos moldes capitalistas.

Na década de 1990, as reformas do sistema produtivo se aprofundaram ainda mais e resultaram num vertiginoso crescimento da economia chinesa, cujas bases são os investimentos estatais e o capital estrangeiro (que foi atraído para a China num volume sem precedentes na história do país e do continente asiático).

De acordo com todos prognósticos, por volta do ano de 2030 a China se transformará na maior economia do mundo. O Estado comunista chinês, porém, resistiu politicamente à desagregação da ex-URSS e ao fim do socialismo no Leste europeu. Os dirigentes comunistas chineses mantiveram a China fechada politicamente e governam o país com base na ditadura do partido único.

Uma questão que surge com freqüência no debate político e nos círculos acadêmicos ocidentais é saber até quando a China se manterá politicamente fechada e resistirá às pressões por reformas políticas liberalizantes e democráticas.

*Renato Cancian é cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: Gênese e Atuação Política - 1972-1985".
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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