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História Geral

Império Romano - Alto Império

Da sagração de Otávio à plenitude

Gilberto Salomão*
Especial para Página 3 Pedagogia & Comunicação
Reprodução

A sagração de Otávio marca o início e o apogeu do Império romano

Chamamos de Alto Império o período que se estende da sagração de Otávio (ver o texto Império Romano - República - Da crise ao Principado), em 27 a.C, até meados do século 3 d.C. Basicamente, esse é o período de consolidação e apogeu do poder romano.

A ordem política imperial teve como elemento mais importante a centralização das decisões nas mãos do imperador. A manutenção do Senado - necessária por ser ele a mais tradicional instituição romana e para impedir a caracterização de um regime despótico - foi acompanhada de uma drástica redução do seu poder efetivo, restando-lhe apenas a administração da Itália e das províncias sem guarnições militares (Províncias Senatoriais).

O imperador controlava a religião, o Exército, as funções legislativa e judiciária, as finanças do Estado, a política externa e as províncias mais importantes. A redução do poder do Senado causou choques entre este e o poder imperial, choques que sempre foram resolvidos pelo uso da força militar, na qual se apoiava o imperador.

O Exército, com um efetivo de mais de 300.000 homens, foi estacionado ao longo das fronteiras do Império, o chamado limes, para resguardar Roma dos ataques bárbaros. O Exército era composto por uma força profissional (as legiões, de recrutamento obrigatório entre os cidadãos romanos) e por forças auxiliares, de recrutamento provincial. Otávio Augusto criou também uma força militar de elite, a Guarda Pretoriana, aquartelada em Roma, para a proteção pessoal do imperador.

Organização social e econômica do Império

A sociedade foi dividida em três ordens, segundo um critério censitário: a Senatorial, que possuía privilégios políticos; a Eqüestre, que permitia o acesso aos cargos públicos; e a Inferior, que abrangia a maioria dos cidadãos. Com isso, Otávio ganhava o apoio dos comerciantes ricos, enquanto que, como forma de compensar a perda de poder do Senado, cumulava os senadores com regalias que os tornavam dependentes do poder imperial.

O controle sobre a plebe era efetuado por meio da política de concessão de alimentos, política essa iniciada por Júlio César e ampliada por Otávio. A isso se somou a criação de grandes espaços públicos para a realização de jogos, corridas de bigas e combates de gladiadores, de modo a dar à plebe uma forma de diversão que permitisse manter a revolta social em um nível controlável. Era a política do "pão e circo". Ao mesmo tempo, o controle sobre a massa de escravos era realizado por uma ampla política repressiva, natural num Estado plenamente militarista como era o Império Romano.

Em termos econômicos, o Império assentava-se sobre o trabalho escravo e o domínio das províncias. O escravo era a base de toda a produção romana, tanto na agricultura quanto na mineração. Era também largamente empregado em atividades não produtivas, notadamente urbanas: professores, serviçais domésticos, músicos, etc.

Quanto às províncias, eram fundamentais não apenas pelos tributos que pagavam, mas também pelo comércio altamente lucrativo que Roma mantinha com elas, permitindo o escoamento da vasta produção dos latifúndios escravistas.

A plenitude do Império

A consolidação do poder romano explica-se, em grande parte, pelo refreamento do ímpeto das conquistas. Se comparado ao período da República, o Império representou muito mais uma fase de consolidação das fronteiras e do domínio romano do que propriamente de expansão.

Cláudio, que governou entre 41 e 54, conquistou a Mauritânia e consolidou o domínio sobre a Bretanha. Trajano (98-117) realizou as últimas conquistas do Império, incorporando a Dácia (atual Romênia), a Armênia e a Mesopotâmia. A partir daí tratava-se apenas de consolidar os domínios do Império. Adriano (117-138) deu início à edificação de grandes muralhas de pedra nas fronteiras imperiais; Marco Aurélio (161-180), o "imperador filósofo", defendeu as fronteiras do Danúbio das invasões bárbaras.

O fim das conquistas significou, a curto prazo, a plenitude do Império. Seu efeito imediato foi o da paz interna, da consolidação das fronteiras, com o dinheiro antes usado em guerras sendo utilizado para investimentos na atividade econômica. Não por acaso, o século 2 é o período da Pax Romana, a paz romana, significando o apogeu e a prosperidade de Roma e das províncias.

Entretanto, embora o primeiro efeito do fim das conquistas tenha sido benéfico, seus efeitos num intervalo mais longo foram terríveis para a estrutura romana. Veremos essas conseqüências ao analisarmos o período conhecido como Baixo Império. Antes, é necessário estudarmos uma importante força social que surgiu naquela época: o Cristianismo.

*Gilberto Salomão, formado em história pela USP, é professor do Curso Intergraus e autor dos livros de história do Sistema de Ensino Poliedro.
Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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