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Textos com teor sexual causam polêmica em escola do interior da Bahia

Heliana Frazão

Em Salvador

26/03/2010 16h59

 
Alunos da 8ª série da Escola Estadual Godofredo Filho, em Feira de Santana (110 Km de Salvador), na Bahia, querem trocar de professora de português. O motivo, segundo eles, foi a proposta de um trabalho que deveria ser feito com base em um texto de teor erótico na quinta-feira (25).

O livro Linguagem e Prática de Leitura Escrita, de Anna Christina Bentes (Editora Global) traz trechos do romance "Capão Pecado", de Ferrez (Editora Objetiva) em que hpa descrições detalhadas de relações sexuais entre dois personagens. Constrangido com a leitura, um grupo de alunos do turno da manhã, com idades entre 13 e 16 anos, levou a reclamação à diretoria, na escola, e aos pais, em casa. Estes procuraram a direção da unidade escolar e o Procon do município para reclamar do conteúdo do livro.

Segundo a diretoria regional da secretaria de Educação, o objetivo dos textos -- no contexto da aula -- seria alertar para o risco de doenças sexualmente transmissíveis e a necessidade do sexo seguro. A diretora da escola, Delma Ribeiro, explicou que o livro se destina a jovens e adultos que estudam no noturno. “Eu, particularmente, não usaria este tipo de literatura com alunos do matutino”, disse, acrescentando que já solicitou uma reunião para se justificar com os pais.

Procurado pelos pais dos alunos, o diretor do Procon, Magno Felzemburg, entendeu que a linguagem é imprópria para crianças e adolescentes e decidiu encaminhar o caso ao MP (Ministério Público). “Entendemos que o Ministério Público seria o órgão competente para fazer tal apuração, inclusive por se tratar de uma escola pública”, disse Felzemburg. O MP ainda não se pronunciou.

Conteúdo para jovens e adultos

Em um dos textos, Ferrez descreve detalhadamente como um operário da construção civil mantém relações sexuais com uma mulher desacordada, que encontra casualmente em um alojamento no local de trabalho.

Responsável pela Diretoria Regional, o professor Eutímio Almeida, confirmou que o material foi distribuído em outro programa do MEC (Ministério da Educação), indicado para o ensino de jovens e adultos do noturno. Almeida ainda não conversou com a professora porque os docentes da rede pública estadual estão com as atividades paralisadas nesta sexta-feira (26), naquele município reivindicando melhoria salarial. A Secretaria da Educação garantiu a apuração da denúncia. O livro já foi recolhido.

Um colegiado formado por professores, pais e alunos da escola vai deliberar sobre o caso e decidir se cabe punição à professora. “O colegiado vai examinar o caso e somente após a decisão do colegiado, será adotada a decisão que melhor convier para a educação, para os alunos, para a rede pública de ensino”, disse Eutímio.

Tirinhas do Chico Bento

Em agosto do ano passado, uma outra polêmica envolvendo uma revista didática distribuída nas escolas pelo Estado provocou a demissão do secretário de Educação, Adeum Sauer. A revista continha tirinhas em que o personagem Chico Bento, da Turma da Mônica, falava um palavrão. Dez mil professores da rede pública da Bahia receberam a publicação didática. O governo do Estado disse que foi um erro de edição e tentou corrigir com um carimbo o problema sem cancelar a distribuição que continha o seguinte diálogo: “Meu pai tem 800 cabeças de gado. E o seu?”, diz um personagem. E Chico Bento responde: “Fala para ele enfiar tudo no c...”.