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Segunda prova do Enem ficou dentro do previsível, com redação sobre trabalho

Ligia Sanchez

Em São Paulo

07/11/2010 21h41

A prova deste domingo (7) do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio ) 2010 foi bastante parecida com a do ano passado, segundo o coordenador do curso e colégio Etapa, Edmilson Motta. "O exame trouxe pouco avanço na busca pela convergência de conteúdos com a compreensão de textos e raciocínio – proposta adotada pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) desde o ano passado”, afirma.

“Os textos ficaram mais enxutos, como o ministro (da Educação, Fernando Haddad) havia pedido, mas não tanto quanto deveriam”, avalia. Considerando a prova como um todo, as questões foram fáceis. “Mas o conjunto a torna pesada e exigente”, diz Motta.

Linguagens e códigos

A prova de português ficou dentro das expectativas. “Apareceram questões básicas que já tínhamos até cantado para os alunos. A prova foi mais interpretativa, uma ou outra questão pedia conhecimento de conteúdo, como uma sobre impressionismo e outra sobre folclore”, afirma a professora Cristiane Bastos, do cursinho da Poli, de São Paulo.

Segundo o coordenador do Etapa, alguns enunciados da prova de português, além de longos, não eram relevantes para a resposta. “Com uma lida por cima ou de uma frase, já se chegava à resposta”, afirma.

O professor de português Nelson Dutra, do curso e colégio Objetivo, também considerou a prova da disciplina dentro do previsível, com o mesmo nível de dificuldade em relação ao ano passado.

Ele destaca algumas questões, como a 135 da prova amarela, sobre hipertextualidade. “Acredito que houve muita interpretação, não é um consenso, a hipertextualidade que ocorre em um dicionário não é a mesma da internet”, afirma. Na pergunta 133 da prova amarela, não há resposta, segundo ele. “O aluno tem que fazer uma ilação, uma série de inferências, é uma proposta muito interpretativa”.

Inglês e espanhol

As provas de língua estrangeira, introduzidas neste ano, foram bem avaliadas pelos professores de cursinhos de São Paulo. “A prova de inglês foi baseada em compreensão de texto. As perguntas estavam bem claras, com nível médio de dificuldade e adequado ao que se espera do ensino médio”, afirma Welington Pimentel, professor do curso e colégio Objetivo.

A professora de inglês Sirlene Aparecida Aarão, do cursinho Anglo, elogiou a escolha de diferentes gêneros para as perguntas, que apresentaram um trecho de música da banda Coldplay, parte de matéria da revista Speak Up, artigos extraídos da internet e imagens. “A prova foi adequado ao que se espera do estudante de ensino médio, que ele consiga ler o mundo e da base linguística necessária para o ensino superior”.

A prova de espanhol foi avaliada da mesma forma. “O vocabulário foi bem compreensível e o foco foi interpretação de textos, o que a tornou muito acessível. A elaboração foi inteligente e exigiu raciocínio”, diz a professora Alcinéa Rodrigues de Lima Trinchão, do Objetivo.

Matemática

A prova de matemática foi considerada muito boa pelo professor da disciplina Gregorio Krikarian, do Objetivo. “Muitas questões simples envolviam porcentagem e interpretação de gráficos e esquemas. Em estatística, conceitos simples como média, mediana e moda. Não exigiu cálculos trabalhosos e atendeu à finalidade de avaliar o aluno para um curso universitário”, afirma.

O problema da prova de matemática foi o espaço insuficiente de rascunho, que acabou se agravando pela proibição do uso de lápis e borracha para realizar a prova.

O professor de matemática Roberto Jamal, do Anglo, concorda que a prova foi bem elaborada e abrangente, explorando tópicos importantes da matemática, como porcentagem, probabilidade, geometria plana e espacial, trigonometria, estatística, funções e análise combinatória. “Os enunciados foram curtos, claros e precisos. As perguntas foram contextualizadas com o cotidiano e com outras disciplinas. Não encontramos erros.”

Já Edmilson Motta, do Etapa, considerou a prova de matemática pouco abrangente. “Ficou repetitiva e desgastante. O Enem sempre pede muita estatística, o que nenhum outro vestibular faz. Não é um fator ruim em si, mas considerando a falta de abrangência de outros temas”.

O professor de matemática Marcelo Dias Carvalho, do Etapa, afirma que pode haver uma interpretação dúbia na questão 156 da prova amarela. “Se você pensar que em um dos dois pontos não tem engarrafamento, caberia a resposta D. Se pensar que tem nos dois, a B. Isso não está claro no enunciado”, explica.

Redação

A redação apresentou um tema concreto, ligado a cidadania e próximo à realidade dos estudantes. A partir de dois textos – um sobre trabalho escravo e outro sobre o trabalho no futuro – a proposta era escrever sobre trabalho e a construção da cidadania. “Não foi preciso fazer uma grande elucubração. Bastava falar da inserção no mercado de trabalho, da construção da personalidade, da vida econômica, da realização social”, afirma o professor Dutra, do Objetivo.

“Os textos para motivar a redação foram bastante claros. O tema é atual, embora recorrente propôs uma discussão nova. Há alguns anos caiu sobre trabalho infantil”, comenta a professora Simone Ferrreira Gonçalves da Motta, do Etapa.

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