E-mail, bate-papo e pesquisa online melhoram nota em teste de leitura

Juliana Doretto

Especial para o UOL Educação<br>Em Brasília

Não são só os dicionários e as enciclopédias online e os sites de pesquisa que ajudam no dever de casa. Ler e-mail e participar de bate-papo e fóruns também. Dados do último Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), de 2009, coordenado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mostram que todas essas atividades estão associadas a “uma melhor performance de leitura” em praticamente todos os 65 países que participaram das provas, ainda que o incremento não seja grande.

Em todos as nações analisadas, uma “posição” melhor no índex de frequência dessas tarefas online soma até pouco mais de 29 pontos na performance de leitura. No Brasil, essa variação foi de 18,1 pontos (19ª posição entre os países com maior diferença, junto com Israel).  Os primeiros foram Bulgária, com 29, 4 pontos, Argentina, com 28,4 pontos; e França, com 28,3. No ranking geral do teste de leitura, o país ficou na 53ª posição. Xangai, na China, liderou, com 556 pontos.

Esses dados, segundo a pesquisa, “contestam o pensamento comumente defendido de que quem fica muito tempo lendo na internet é um leitor mais pobre de textos impressos” e mostram que, em geral, “estudantes que se envolvem muito com atividades online são em geral leitores mais eficientes do que os que ficam pouco tempo lendo na rede”.

A razão para isso seria “tanto porque os estudantes acessam muitos tipos de material online quanto porque eles os acessam regularmente”. O Pisa avalia, além da leitura, ciências e matemática, e tem como objetivo principal conseguir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais.

Em relação à “proporção na variação da performance do estudante” (ou seja, o quanto o hábito da ler online pode predizer uma boa avaliação geral em leitura), o Brasil fica nas primeiras posições (8%), atrás de Bulgária e Peru (ambos com 15%), Panamá (12%), Argentina e México (10%), Romênia e Colômbia (9%). No entanto, em 45 dos 65 países analisados, o tempo que se passa lendo na rede explica menos de 5% da variação no resultado do aluno. Ou seja, as diferenças causadas pela leitura online no desempenho do estudante são menores do que as observadas entre os que dizer gostar de ler (até 27%), por exemplo.


Entenda o Pisa

O Pisa tem como objetivo “avaliar até que ponto os alunos que já estão próximos ao final da educação obrigatória adquiriram alguns dos conhecimento e habilidades necessários para a participação plena na sociedade do saber”, segundo o site do programa.

As provas são aplicadas a cada três anos. Os alunos são selecionados a partir de uma amostra aleatória de escolas públicas e privadas e são escolhidos pela idade (entre 15 anos e três meses e 16 anos e dois meses, no início da avaliação), e não pelo grau escolar em que se encontram. Mais de 1 milhão de jovens já foram avaliados. Em cada país, participam das provas de 4.500 a 10 mil estudantes.

Além disso, os estudantes preenchem questionários sobre si mesmos, como estratégias de aprendizado e preferências (enquanto seus diretores fazem o mesmo sobre suas escolas). Os hábitos de leitura na internet foram investigados nessas entrevistas.

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