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Ideb: no Amapá e em Roraima, investimento alto não gera boa nota

Juliana Doretto

Especial para o UOL Educação<br>Em Brasília

22/02/2011 05h00

Na região Norte, Amapá e Roraima aparecem com elevados investimentos por estudantes, porém com Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) longe do topo do ranking. Roraima, que teve o maior valor por aluno em todas as séries do fundamental em 2009, R$ 2.890,08 (para as primeiras) R$ 3.179,09 (para as finais), tem índice de 4,2 (atrás de 14 Estados) no início e de 3,7 (atrás de dez Estados) no final.

Em 2011, os investimentos por estudantes continuam os mais altos, acima do CAQi, (Custo Aluno Qualidade Inicial), valor estabelecido pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação como o mínimo para oferecer educação com qualidade.


O Amapá teve o sétimo maior custo por aluno do país em 2009 nas séries iniciais do fundamental (R$ 2.072, 72), mas apresenta a quarta pior nota entre os Estados brasileiros nesse nível: 3,6. No final do fundamental, também foi o sétimo maior valor (R$ 2.279,99) e teve Ideb de 3,6 (São Paulo lidera, com 4,3).


Considerando o ano de 2011, o Estado também tem custo por aluno acima do CAQi. O Amapá investe R$ 2.434,07 nas séries iniciais e R$ 2.677,48, nas finais, quando o recomendado é de R$ 2.194,56 e R$ 2.148,84.


O valor por estudante elevado é gerado, segundo Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, sobretudo por poucas matrículas e por uma boa capacidade arrecadatória (com muitos recursos da União). “Mas o investimento ainda é muito pequeno para conseguir educação de qualidade, porque os custos são altos, com transporte escolar e deslocamento de professores, por exemplo”.


O Amazonas, por outro lado, está melhor do que 15 Estados no ranking do Ideb no início do fundamental, com nota 4,5, mas tem investimento baixo por aluno: o valor mínimo em 2009, R$ 1.350,09, atingido com ajuda do governo federal; em 2011, o investimento também seguiu o mínimo (R$ 1.722,05). Nas séries finais o valor era o menor em 2009, R$ 1.485,10, com Ideb mais baixo, 3,6.


Para Daniel Cara, essa média do Ideb, no entanto, pode esconder uma realidade desigual no Estado: Manaus, a capital, apesar de ter um número de estudante grande, dentro do Estado, pode “não matricular tanto quanto deveria”.