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Adolescência é última chance para conversa com filho sobre sexo

Carla Hosoi<br>Especial para UOL Educação

Em São Paulo

30/04/2011 07h00

A adolescência é o "deadline" para iniciar a educação sexual dos filhos. Segundo os especialistas, o assunto deve ser trazido para a conversa assim que a curiosidade surgir. No entanto, se você perceber que seu menino ou sua menina já demonstram interesses sexuais, prazo chegou ao fim e o papo não deve mais ser adiado.

"A melhor política é a sinceridade, falar sobre o que você realmente acredita", diz Ivette Gattás, psiquiatra da Infância e Adolescência e coordenadora da Upia (Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). "Situações do dia a dia são bastante propícias para iniciar o assunto sem que o adolescente sinta que está sendo invadido na sua privacidade." Por exemplo, se estiverem assistindo a um filme ou novela com uma cena romântica, faça comentários e tente saber o que seu filho pensa.

É preciso superar o tabu

Conversar sobre sexo com filhos adolescentes é um tabu que ainda existe. Nem mesmo a banalização do apelo sexual pela mídia ou a disponibilidade de informações sobre sexualidade parecem colaborar para um diálogo mais aberto entre gerações.

"Hoje tudo acontece mais cedo. Os pais precisam aceitar essa realidade e se aproximar dela. Existe uma necessidade de inserção, de conhecer o universo adolescente atual e a partir daí buscar um caminho para um papo mais natural e à vontade com o filho", esclarece Maurício de Souza Lima, médico hebiatra, especialista em adolescentes e jovens.

Na teoria, é bem simples. Na prática, a conversa trava, o filho emburra e no lugar de um espaço aberto ao esclarecimento de dúvidas e bate-papos divertidos, o que fica é um abismo de desentendimentos.

"Não adianta chegar com discursos ultrapassados ou uma aproximação formal. E também você deve lembrar que não é amigo do seu filho. Se você quer conversar, principalmente sobre sexualidade, você tem que se colocar como mãe ou pai, pois é exatamente isso que o adolescente espera. Os pais são parâmetros essenciais na educação sexual dos filhos", explica Ivette Gattás.

Orientação sim, julgamento não

Educar sexualmente um filho é conversar, orientar e informar sobre os riscos de escolhas erradas e atitudes inconsequentes, apontar caminhos para uma vida sexual saudável e participar, sem preconceitos e discriminação, desse processo de autoconhecimento fundamental para o desenvolvimento social, psicólogico e físico dos seres humanos.

Os pais exercem um papel fundamental nessa orientação, assim como a escola. Segundo Marcos Ribeiro, professor especialista em adolescentes, as políticas educacionais do país precisam ser construídas com estratégias mais integradoras, que associem a discussão das questões sexuais ao interesse e cotidiano dos jovens. "É importante que a educação sexual esteja inserida na estrutura escolar, como aula específica ou através da transversalização (assimilação em diversas matérias) de conteúdo ou oficinas", ressalta.