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Camisinha: esse assunto é imprescindível na conversa sobre sexo com os filhos

Carla Hosoi<br>Especial para o UOL Educação

Em São Paulo

30/04/2011 07h00

Falar sobre sexo com os filhos obriga qualquer mãe ou pai a passar por esse assunto. Prevenção, uso de camisinha e anti-concepcionais são itens imprescindíveis nessa primeira conversa. Tocar na questão pode ser constrangedor para muitos pais, mas é preciso achar um caminho para esclarecer que somente o sexo seguro garante a continuidade de uma vida sexual saudável.

Os adolescentes devem saber que desculpas como "só transam com o namorado ou namorada" ou que a camisinha diminui o prazer são totalmente equivocadas e colocam em risco a própria vida.

Os pais, assim que notarem que seus filhos estão vivendo um momento de descobertas sexuais, precisam alertá-los logo sobre as medidas preventivas que devem tormar na primeira transa (e nas outras que virão pela frente) para evitar as DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), como sífilis, HPV, gonorréia, hepatite, vírus do HIV e uma gravidez indesejada. Este tipo de preocupação nada mais é que uma prova de amor dos pais por seus filhos.

Como puxar o papo:

Se os pais não se sentem seguros para tocar no assunto, recorrer a um profissional da área de saúde é recomendável. A mãe pode marcar uma consulta para a filha e ligar antes para sua ginecologista pedindo que ela converse sobre prevenção, métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis, por exemplo. Os médicos, como estão mais acostumados com a rotina de explicações, conseguem estabelecer um diálogo mais aberto.

Quando o diálogo já existe dentro de casa, uma dica é mostrar como se usa a camisinha. Tenha em mãos um objeto fálico, como uma banana, por exemplo e faça junto com seus filhos o passo a passo do método preventivo. Pode ser divertido e sério ao mesmo tempo. Nessa hora, aproveite para falar de outros métodos anticoncepcionais.

Dessa forma, os adolescentes esclarecem suas dúvidas e fica estabelecida uma intimidade maior entre pais e filhos.

Como NÃO agir:

O alerta sobre os riscos envolvidos na prática do sexo não seguro pode gerar ansiedade. Isso acontece porque os pais ficam muitas vezes perdidos com a quantidade de informações que devem ser passadas.

Se falam de doenças sexualmente transmissíveis, os pais tem que obrigatoriamente falar de AIDS. Se falam de gravidez indesejada, precisam ressaltar que o uso de contracpetivos não substitui a camisinha. E por aí a conversa pode se estenteder a um montante de dados que os adolescentes não conseguem processar.

Portanto, querer informar os filhos sobre tudo, despejando uma gama de conteúdo enorme logo numa primeira conversa não é recomendável.

Fontes: Arlete Gianfaldoni, médica assistente doutora da clínica ginecológica  Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e especialista em ginecologia e obstetricia da Infância, membro da Sogia (Sociedade de obstetricia e ginecologia da Infância e Adolescência), Marcos Ribeiro, autor do livro Conversando com seu filho adolescente sobre sexo, Ivette Gattás, psiquiatra da Infância e Adolescência e coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA) da Unifesp, Maurício de Souza Lima, médico hebiatra.