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Gravidez na adolescência: informações para prevenção precisam chegar ainda mais cedo

Carla Hosoi<br>Especial para UOL Educação

Em São Paulo

30/04/2011 07h00

Se meninos e meninas estão transando cedo, as informações, principalmente preventivas, devem ser adiantadas também.

Pesquisas revelam que a iniciação sexual está ocorrendo em média aos 15 anos e meio de idade para as meninas, e para os meninos, até antes disso. Proibir filhos adolescentes de se relacionarem sexualmente, como boa parte dos pais gostariam que ocorresse, principalmente com as filhas, não evita que a prática aconteça.

Como puxar papo:

Se o fato foi constatado, aceitá-lo demanda tempo e um processo árduo de elaboração. A melhor saída para os pais - tanto da menina como do menino - é encarar de frente a situação e fazer, ainda que tardiamente, o papel de educadores para a vida, incluindo-se aí a vida sexual.

Juntos, pais e filhos devem apostar em um diálogo frequente, visando sempre a conscientização dos futuros pais sobre as responsabilidades que terão com a chegada do bebê.

O lado psicológico de todos envolvidos estará bem vulnerável. Mas nem por isso os avós devem tomar as responsabilidades para si. Os pais adolescentes podem receber ajuda, mas precisam assumir o filho em todas as etapas de criação.

Como NÃO agir:

Receber a notícia de uma gravidez precoce não é fácil. Num primeiro momento, as reações esperadas são mesmo de desespero, bronca, sentimento de culpa. Mas é preciso tentar acalmar esse turbilhão de sentimentos antes de tomar atitudes precipitadas, como uso de violência (bater, empurrar, xingar) ou mesmo a exigência de um casamento imediato.

Questionamentos como "em que falhei?", "por que não se cuidou?", "conversei tanto com ela!" ou discursos conservadores do tipo "você teve todas as chances que eu não tive e olha o que você fez" só prejudicam o processo de compreensão e aceitação da gravidez.

Fontes: Arlete Gianfaldoni, médica assistente doutora da clínica ginecológica  Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e especialista em ginecologia e obstetricia da Infância, membro da Sogia (Sociedade de obstetricia e ginecologia da Infância e Adolescência), Marcos Ribeiro, autor do livro Conversando com seu filho adolescente sobre sexo, Ivette Gattás, psiquiatra da Infância e Adolescência e coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA) da Unifesp, Maurício de Souza Lima, médico hebiatra.