PUBLICIDADE
Topo

Repressão e moralismo afastam filhos da conversa sobre a primeira transa

Carla Hosoi<br>Especial para UOL Educação

Em São Paulo

30/04/2011 07h00

A cada dia, a primeira transa acontece mais cedo. Pesquisas revelam que a iniciação sexual está ocorrendo em média aos 15 anos e meio de idade para as meninas, e para os meninos, até antes disso. "Ficar" indica que seu filho ou filha certamente já deixou de ser BV (Boca Virgem), mas não signfica que já está se relacionando sexualmente. A partir do namoro, que caracteriza um compromisso assumido, é que a possibilidade da primeira vez torna-se mais próxima e real.

Como puxar o papo:

Nesse momento, cabem várias observações e orientações. Uma das regras básicas é conhecer os amigos. Oferecer um almoço, um churrasco, trazer o grupo para dentro da casa é uma forma de se aproximar e saber o que seus filhos andam fazendo, conversando.  Os adolescentes costumam ter códigos próprios e em geral conversam entre si sobre temas relacionados à vida sexual. Mas nem sempre as informações que possuem são corretas. Por isso, os pais devem ficar atentos ao que eles sabem ou pensam que já sabem para poder orientá-los da maneira certa. Além de detectarem se realmente a vontade de se inciar sexualmente é do filho ou da filha ou não passa de uma  pressão do grupo ou namorado.

Montamos, com os especialistas, uma espécie de "lista" de alguns assuntos que precisam ser ressaltados:

  • O momento mais adequado: cada um deve tomar suas decisões conforme seu ritmo e suas convicções -- sem ceder à  pressão do namorado, da namorada ou do grupo
  • A primeira vez é importante, sim -- apesar de o fato de perder a virgindade hoje não tem a mesma carga moral de antigamente
  • a primeira transa não pode ser encarada como uma prova de amor ou, no caso dos meninos, de masculinidade. Amor, respeito, atitude e carinho são conquistas que podem ser reveladas de várias maneiras, não apenas num ato sexual.
  • prevenção (o uso de camisinha, em qualquer circusntância, previne a transmissão de doenças e afasta o fantasma de uma gravidez indesejada)


Como NÃO agir:

Atritos nessa hora só afastam os pais dos filhos. Fuçar gavetas, agendas, ver as ligações do celular não são atitudes recomendadas. Chamar o filho ou filha de lado para "aquela" conversa, dizendo "você já está um rapazinho ou uma mocinha e por isso precisamos conversar" também causará estranhamento e até mesmo, ridicularização.

Fontes: Arlete Gianfaldoni, médica assistente doutora da clínica ginecológica  Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e especialista em ginecologia e obstetricia da Infância, membro da Sogia (Sociedade de obstetricia e ginecologia da Infância e Adolescência), Marcos Ribeiro, autor do livro Conversando com seu filho adolescente sobre sexo, Ivette Gattás, psiquiatra da Infância e Adolescência e coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA) da Unifesp, Maurício de Souza Lima, médico hebiatra.