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Num cenário ideal, discussão sobre homofobia não deveria ser feita na escola, diz especialista

Thiago Minami

São Paulo

18/05/2011 07h30

Foi-se o tempo em que a escola cuidava apenas de ensinar português e matemática. Hoje em dia, os educadores têm de dar conta dos conteúdos tradicionais e também de uma vasta gama de temas até pouco tempo considerados “extracurriculares”, como preconceito, cidadania e sexualidade.    

Vídeos do kit Escola sem Homofobia

Será que este é mesmo o caminho?

António Nóvoa, um dos maiores especialistas europeus em gestão escolar, acha que não. “A sociedade não pode jogar tudo em cima da escola”, diz ele. “Para que a escola não se torne um lugar onde se faz tudo e não se faz nada”. Nóvoa é reitor da Universidade de Lisboa e doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e em História pela Universidade Sorbonne, em Paris. No dia 21, faz duas palestras no evento 18º Educar, em São Paulo, sobre gestão e avaliação escolar, temas frequentes em seus estudos.

Então o que dizer de ações como o projeto Escola sem Homofobia, do ministério da Educação brasileiro, que prevê a discussão da diversidade sexual entre professores e alunos? “Idealmente, não deveria ser feito em sala de aula. Trata-se de um diálogo educativo que vai muito além desta”, afirma. “Mas como a comunidade não tem condições ainda de arcar com essa responsabilidade, a solução é deixar a escola assumir parte do trabalho”.

Você sabe distinguir um bom diretor de escola?

Um diretor de escola eficiente deve cumprir duas tarefas: fazer com que os alunos aprendam e manter uma relação íntima com a comunidade local, incluindo família, governo e outras instituições. Para Nóvoa, o gestor escolar tem de ser capaz de chamar a atenção da sociedade. E não permitir que esta jogue para a escola toda a responsabilidade pela educação. “O que é do domínio social e familiar não pode ser desempenhado apenas dentro da escola.”

Quer saber se uma escola está sendo bem administrada? Nóvoa ensina a ficar de olho em dois pontos. Número um, se os alunos estão aprendendo. “Não adianta tratar bem as criancinhas se no fim do ano elas não sabem nada.” Número dois, se as relações entre as partes envolvidas estão bem. Isto é, se a escola promove o diálogo entre estudantes, professores e responsáveis. Se respeita a diferença, a diversidade e a especificidade de cada um, e não há discriminação entre alunos por raça, credo ou origem diferente. “O grande mérito da escola publica é ser um lugar do diálogo e da palavra, como dizia Paulo Freire, onde podemos aprender uns com os outros”, explica Nóvoa.  

Avaliar é essencial

Há quem diga que a escola não precisa avaliar, pois isso promove a exclusão. O especialista português discorda. Avaliar é, sim, essencial – não necessariamente as tradicionais provas escritas, mas qualquer método capaz de mostrar se o aluno aprendeu ou não. “Se não avaliarmos, o estudante vai sofrer no futuro um tipo de exclusão muito pior, que é o da sociedade.”