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Professores e comerciários protestam em frente à prefeitura de São Paulo

Camila Maciel

Da Agência Brasil, em São Paulo

30/05/2014 12h37

Cerca de 50 professores municipais, em greve há mais de um mês, estão acampados desde a madrugada de hoje (30) em frente à prefeitura, no viaduto do Chá, no centro da capital paulista. Eles montaram dez barracas na calçada do prédio para pressionar o prefeito Fernando Haddad a receber o sindicato da categoria e negociar as reivindicações dos docentes, entre as quais está a incorporação de um bônus complementar ao salário.

Também em frente ao Paço Municipal, cerca de 400 trabalhadores do comércio, segundo a Polícia Militar, protestam contra a lei que decreta feriado em 12 junho, dia da abertura da Copa do Mundo. Eles querem que esse benefício não exclua os comerciários.

O ato dos professores foi marcado pelas redes sociais sem a articulação do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação do Ensino Municipal). “Eles dizem que pagar em forma de bônus 15,38% a partir do ano que vem, mas queremos que seja incorporado ao salário. Além disso, queremos saber como vai ser esse pagamento, porque eles dizem que é a partir de 2015, mas quando acaba?”, questionou um dos professores, que não quis se identificar.

De acordo com o grupo, o acampamento é mais uma forma de mobilizar a classe. Eles pretendem ficar até que o sindicato seja recebido pelo prefeito. Às 14h30, haverá uma assembleia de todos os professores no mesmo local.

De acordo com o Sinpeem, além da incorporação do percentual de 15,38%, a categoria quer isonomia entre ativos e aposentados, projetos de segurança nas escolas, redução do número de alunos por sala, direito à 15 minutos de intervalo para os educadores dos CEIs (Centros de Educação Infantil), entre outros itens.

Em nota, a Secretaria de Educação informa que “já garantiu o reajuste de quase 26% entre 2013 e 2014 e vai continuar a valorizar o magistério com carreira, formação e salários”. Além disso, segundo a secretaria, hoje todos os profissionais da educação, incluindo os aposentados, estão recebendo um reajuste de 13,43%. “A Secretaria Municipal de Educação se mantém aberto ao diálogo com os educadores e com as suas entidades sindicais”.

Comércio

Em relação ao protesto dos trabalhadores do comércio, Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), disse que considera uma discriminação excluir a categoria do benefício do feriado no primeiro dia da Copa do Mundo. “O sindicato assinou uma convenção coletiva de alguns feriados e não haveria problema em dar complemento com o dia 12, desde que os benefícios fossem estendidos”, explicou.

Ao trabalhar nos feriados, os comerciários recebem o pagamento do dia em dobro ou tem folga adicional e ainda recebem o equivalente do vale-refeição. Segundo o presidente, 500 mil pessoas trabalham no comércio paulistano.

Patah informou que, caso não haja alteração da lei, a UGT entrará com um pedido de Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) para que seja considerada irregular pela Justiça. “Formalizamos um pedido de reunião com o prefeito para que pudéssemos conversar. Estamos fazendo esse protesto, mas somos favoráveis à Copa, mas estamos aqui por conta dessa discriminação”, explicou. Um ofício foi enviado no dia 28, mas até o momento, segundo ele, não houve retorno.

A assessoria de imprensa do prefeito Fernando Haddad não se posicionou sobre o ato dos comerciários.