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Com salários atrasados, professores do DF prometem começar ano em greve

9.jan.2014 - Professores da rede pública do DF fazem manifestação em frente ao Palácio do Buriti para reivindicar o pagamento de atrasados - Marcelo Camargo/Agência Brasil
9.jan.2014 - Professores da rede pública do DF fazem manifestação em frente ao Palácio do Buriti para reivindicar o pagamento de atrasados Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Efdgard Matsuki

Do UOL, em Brasília

05/02/2015 06h00

Com protestos, tentativas fracassadas de negociações e o adiamento do início das aulas (do dia 9 para o dia 23 de fevereiro) marcando o período de férias, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) está articulando uma greve para o começo do ano letivo.

No primeiro dia de aula, o sindicato já confirmou uma paralisação e assembleia para decidir pela greve. A expectativa é que os 24 mil profissionais que estão sem receber o 13º salário, férias e horas extras relativas ao ano passado sequer comecem a dar aulas. 

“Os professores estão recebendo os salários com atraso desde dezembro”, afirma o representante do Sinpro-DF Cláudio Antunes Correia. “Porém, as contas continuam vindo e alguns estão precisando fazer empréstimos para cobrir as dívidas.”.

Aula no dia da véspera de Natal

O Sinpro-DF também reclama do adiamento do início das aulas. “As aulas estão previstas até o dia 29 de dezembro e até na véspera de Natal haverá aulas, de acordo com o novo calendário”, aponta o representante.

A paralisação no início das aulas marcará mais um capítulo de uma novela que se estende desde o final do ano passado, quando o Distrito Federal ainda estava na gestão Agnelo Queiroz (PT).

Depois de ficarem sem receber os salários relativos a novembro, os professores começaram a realizar protestos em frente ao Palácio do Buriti (sede do governo do DF).

O pagamento de novembro foi feito, mas os salários de dezembro atrasaram e os protestos continuaram pelo mês de janeiro. Sem estar em aulas, os professores não puderam fazer greve.

Para tentar solucionar a falta de pagamentos, o executivo fez uma proposta de parcelamento da dívida em seis vezes dos professores no último dia 15. A proposta acabou sendo rejeitada pelos docentes.

Estudantes se sentem prejudicados 

No meio do fogo cruzado entre professores e governo estão os alunos, que ficam sem aulas. É o caso do estudante Adson de Albuquerque, estudante do 3º ano do Centro de Ensino Médio (CEM) em Ceilândia. 

Adson pretende prestar vestibular no final do ano para letras na UnB (Universidade de Brasília), mas acredita que o adiamento do início das aulas e a eventual greve podem o prejudicar na luta por uma vaga. “No meio do ano eu vou fazer a prova do PAS [Programa de Avaliação Seriada] e depois o Enem [Exame Nacional do Ensino Médio]. As semanas a menos que eu vou ter de estudo vão me deixar atrás de alunos de escolas particulares que começam a aula no dia 9”, diz.

Procurada pela reportagem do UOL, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF) confirmou que o adiamento prevê aulas até o dia 29 de dezembro para cumprir os 200 dias letivos anuais, mas deixa a oportunidade para as escolas se organizarem e terminarem o ano letivo no dia 22. 

Sobre quais medidas tomaria caso os professores confirmem a greve, a SEDF se limitou a dizer que “não trabalha com previsão, apenas com fatos”.