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Enem em SP tem torcida por atrasados e "show" de candidatos fake

5.nov.2016 - Tumulto em frente aos portões fechados da Uninove para o primeiro dia de provas do Enem 2016 - Aloisio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo
5.nov.2016 - Tumulto em frente aos portões fechados da Uninove para o primeiro dia de provas do Enem 2016 Imagem: Aloisio Maurício/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

05/11/2016 15h36Atualizada em 05/11/2016 15h37

O que em anos anteriores poderia ser um momento de apreensão e expectativa, este ano, se transformou em show com direito a torcida e até atores amadores se passando por candidatos (fakes).

Foi esse o cenário em São Paulo, neste sábado (5), nos minutos finais para o fechamento de portões pelo primeiro dia de provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2016, na Uninove, na Barra Funda, maior local de aplicação das provas localizado na zona oeste da capital paulista.

Cerca de meia hora antes do fechamento dos portões, ou seja, 12h30, um grupo de ao menos 20 pessoas de diferentes regiões da cidade pulava aos gritos de “uh, uh, vai atrasar” diante de um batalhão de fotógrafos, repórteres e cinegrafistas. A reação dos torcedores de ocasião era mais ou menos animada conforme eles se viam enquadrados pelas câmeras.

Um grupo de amigos das regiões norte e sul da cidade fez questão de levar cadeiras de praia e cerveja para acompanhar a saga dos retardatários. Qual a graça desse tipo de torcida?

“O sujeito se preparou o ano inteiro e agora chega atrasado? A gente tem que zoar, mesmo”, disse o universitário André Toledo, 19. Amigo dele, o também estudante de ensino superior Igor Guimarães, 19, reforçou: “Ano passado, passamos também por essa pressão toda, mas não perdemos o exame. Depois de todo esse tempo de Enem o pessoal ainda não tomou conhecimento que precisa chegar antes? A gente veio para dar risada, mesmo, disso”, explicou.

Na porta da mesma Uninove, tão logo os portões de fecharam –de novo: com fotógrafos e cinegrafistas a postos--, quatro jovens tentaram forçar a entrada e saíram cabisbaixos, mas serenos.

Um deles falou com a reportagem a alguns metros dali depois de ensaiar um “momento de reflexão” em que se recusara a falar. Depois, se disse “ajudante geral, morador de Ferraz de Vasconcelos”, atribuiu o atraso “ao trem, que demorou muito hoje nas paradas” e chorou. “Posso te dar um abraço?”, pediu à repórter. No momento de fornecer o nome, o palavrão formado pelo som do nome e do sobrenome --ou cacófato-- denunciou o propósito.

O falso candidato disse ser ator amador contratado por um programa de humor --a exemplo de outras três “candidatas atrasadas” que, indagadas pelo UOL, não quiseram mostrar documento de identificação nem cartão do candidato do Enem. Todos usavam ponto eletrônico do lado de dentro da blusa.

A confusão causada, ao menos em parte, parece ter dado certo: milhares de fotos e imagens dos falsos atrasados correram o país ao vivo ou minutos depois. O grupo real --com 90 questões objetivas gabaritadas com caneta esferográfica preta-- já estava do lado de dentro dos portões.

Em Belo Horizonte e em Curitiba, alguns universitários se posicionaram próximos aos locais de prova para esperar o "show dos atrasados".

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