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Prova específica da Fuvest traz questões atuais, como fator previdenciário

A nota final do candidato será a média aritmética simples da prova da primeira fase com as duas provas da segunda  - Foto: Divulgação
A nota final do candidato será a média aritmética simples da prova da primeira fase com as duas provas da segunda Imagem: Foto: Divulgação

Giorgia Cavicchioli

Colaboração para o UOL

06/01/2020 18h45

Resumo da notícia

  • Os estudantes classificados para a 2ª fase do vestibular da Fuvest 2020 realizaram hoje as provas específicas, de acordo com a carreira escolhida
  • Segundo professores, o exame seguiu o padrão conteudista, porém exigiu conexões com temas atuais
  • A primeira chamada da Fuvest será divulgada no dia 24 de janeiro

O segundo dia de prova da segunda fase da Fuvest 2020 aconteceu nesta segunda (6). Os cerca de 35 mil candidatos classificados para essa etapa do vestibular responderam a 12 questões dissertativas de áreas específicas, a depender da carreira escolhida. De acordo com professores de cursinhos ouvidos pelo UOL, o exame seguiu o padrão conteudista tradicional, porém, preocupou-se em conectar conhecimentos teóricos do ensino médio com problemas atuais da nossa sociedade e situações cotidianas dos estudantes.

Segundo Fernando da Espiritu Santo, gerente de inteligência educacional e avaliações do Poliedro, não bastava que os candidatos memorizassem as matérias vistas durante o ano: era preciso que fossem estabelecidas relações com o dia a dia das e os acontecimentos da atualidade no Brasil e no mundo.

Espiritu Santo cita como exemplo a questão número oito da prova de geografia, que abordou o fator previdenciário. "Essa questão indica que a Fuvest está se manifestando politicamente, ao dizer que o fator previdenciário poderia cometer uma discriminação racial. Clique aqui para ver a prova.

Outra questão (a de número 1 na prova de história) tratava de futebol e pedia para que fosse feito um paralelo com a ideia de democracia racial no Brasil. Segundo o gerente, esse é mais um exemplo de que o estudante precisava relacionar vários assuntos em uma resposta.

"Quando pegamos as provas de ontem e as de hoje, percebemos que a Fuvest quer selecionar os melhores e a estratégia é cobrar o domínio profundo dos conteúdos", afirma.

No domingo (5), os candidatos tiveram os conhecimentos de português avaliados e escreveram uma redação, cujo tema foi "O papel da ciência no mundo contemporâneo").

O professor Célio Tasinafo, diretor pedagógico do colégio Oficina do Estudante, concorda com a avaliação de que o candidato precisava fazer um esforço para contextualizar o conhecimento obtido em sala de aula com temas e debates contemporâneos. "O candidato que não só estudou, mas que era melhor informado, acabou se dando melhor. Aí ele mostrava repertório", constata.

Dizendo que a prova teve um grau elevado de exigência, ele afirma que o estudante precisava estar por dentro das notícias que chamaram a atenção durante o último ano. Segundo ele, o maior destaque, nesse sentido, foi para temas como política internacional e nacional. "Era preciso estar atento ao debate contemporâneo em que a gente se encontra", afirma.

De acordo com Tasinafo, outro tema bastante importante e que tem levantado polêmica no último ano mereceu destaque na prova. A questão número 4 de geografia trazia a temática da demarcação de terras indígenas. "A pergunta abordava a importância da demarcação. Isso acontece dentro do governo Bolsonaro, que desde a eleição tinha uma posição de que não iria demarcar terras indígenas", diz.

Prova trabalhosa

Segundo Vera Lúcia Antunes, coordenadora do curso e colégio Objetivo, uma das principais funções da geografia é ser atual e trazer assuntos necessários. De acordo com a professora, a Fuvest manteve seu padrão conceitual, mas sem investir em conteúdos que poderiam ser interdisciplinares.

Além disso, ela pondera que o tempo de prova é muito curto, pelo fato de todas as questões terem três perguntas dentro delas. "Se eu faço 12 questões, multiplicado por três, eu vou ter 36 respostas. Não é uma prova para se fazer em quatro horas. É uma prova trabalhosa e que demandou que fosse feita uma leitura com atenção", diz.

A parte de exatas, segundo a coordenadora, foi a mais difícil da prova. "Na de química, era preciso fazer leitura de gráficos. Em física, exigia um conhecimento grande do aluno. A parte mais difícil foi matemática por todas as questões serem muito trabalhosas", afirma Vera Lúcia

O professor Daniel Perry, diretor do curso Anglo, avaliou a prova de matemática como tradicional, sem surpresas e direta. "A gente teve como temas os números complexos, função trigonométrica, análise combinatória, geometria plana, sequência e logaritmo", diz.

Para ele, física teve uma boa distribuição, com questões bem precisas e de um nível médio para difícil e química apresentou uma prova analítica e trabalhosa. No entanto, diz, a prova de biologia foi a mais difícil e sofisticada. "Foi também uma prova com um certo desequilíbrio nos temas. Caíram três questões de ecologia. Embora seja um tema bastante amplo, isso não é muito comum de acontecer na Fuvest", afirma.


Como é feita a pontuação?

O primeiro dia de prova vale 100 pontos, sendo 50 pontos para a prova de redação e 50 pontos para a de português.

A segunda prova também vale 100 pontos, sendo formada por 12 questões com o mesmo valor. Nesse dia, o candidato pode ser avaliado em duas a quatro disciplinas, dependendo da carreira escolhida. Se forem duas disciplinas, haverá seis questões para cada uma delas. Se forem três disciplinas, haverá quatro questões para cada uma. Se forem quatro disciplinas, haverá três questões para cada uma. A nota final do candidato será a média aritmética simples das três provas (primeira fase + as duas provas da segunda fase).

Datas importantes

Primeira chamada: 24 de janeiro

Segunda chamada: 31 de janeiro

Terceira chamada: 7 de fevereiro

Lista de espera: a partir de 26 de fevereiro

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