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Conteúdo publicado há
9 meses

Professor da USP: Escolas não têm infraestrutura para distanciamento social

Do UOL, em São Paulo

17/08/2020 14h48

Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo) e membro da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, afirmou hoje, em participação no UOL Debate, que o Brasil não tem infraestrutura nas escolas, em especial públicas, para fazer o distanciamento social, ao falar sobre o retorno das aulas presenciais no país. Ainda de acordo com o professor, o ensino remoto, à distância, é uma "redução de danos", mas não garante o processo completo de aprendizado.

"Não existe tempo perdido em termos pedagógicos. O que a gente pode fazer para evitar que o prejuízo seja grande? A pandemia exigiu uma modalidade de distanciamento social chamado de ensino remoto, que é uma redução de danos. Ele não consegue garantir plenamente o processo de ensino e aprendizado, porque os alunos aprendem com os professores, mas também com a interação com os colegas. A boa neurociência mostra que os alunos aprendem entre si. O ensino remoto coíbe esse processo. Mas é importante ter a compreensão que o fundamental agora é salvar vidas. O impacto da pandemia não pode ser ampliado pelo retorno irresponsável às aulas", disse.

"Imagina o peso de uma criança que vai para escola e chega em casa e não tem como ter protocolo de segurança e distanciamento tentando coibir a ação das crianças nas escolas. Elas vão se abraçar, abraçar os professores. Como vamos ter protocolo que garantam esse distanciamento social? E o fato que as crianças vão voltar para suas casas. Elas moram com avós, pais com problemas de saúde. Os familiares vão adquirir coronavírus e correm risco de morte. É uma situação extremamente complicada. O Brasil não tem infraestrutura para garantir dentro das escolas públicas, especialmente, o distanciamento social necessário para que esses protocolos ocorram", acrescentou.

Cara ainda declarou que os professores "estão tirando leite de pedra" para ensinar os alunos durante a pandemia.

"Em termos pedagógicos, precisa ter planejamento, cumprir com a agenda. Precisa empoderar os educadores na tomada de decisão. Os professores estão tirando leite de pedra para ensinar os alunos nesse momento de pandemia. Temos professores extremamente engajados. Então, concretamente, é possível recuperar. Não existe tempo perdido em termos educacionais. Todo aluno tem capacidade infinita de aprender. Agora, para isso, a tomada de educação no Brasil precisa ser tomada pelos educadores. Em relação à educação, é preciso colocar a ciência pedagógica à frente. Eu acredito nesse caminho, acho que é possível. A pedagogia já ensinou que é possível garantir o ensino em qualquer fase da vida."