Enem

Corretores do Enem têm de devolver pagamento

Em São Paulo

Cerca de 600 pessoas que trabalharam na correção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado estão sendo cobradas e terão de devolver parte do pagamento que receberam. O Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e Promoção de Eventos (Cebraspe), contratado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep) para a correção da redação e remuneração dos corretores, disse que esses pagamentos foram computados mais de uma vez de forma equivocada.

Os colaboradores (corretores, supervisores e coordenadores), que participaram de capacitação em setembro e trabalharam nas correções até dezembro, receberam os pagamentos em fevereiro. Mas, no início de março, muitos receberam e-mails em que eram cobrados a devolver parte do valor. Em alguns casos, o Cebraspe pediu a devolução de até R$ 6,2 mil para um colaborador.

Uma das corretoras, que não se identificou por ter assinado cláusula de sigilo, disse que trabalha há 15 anos no Enem e nunca teve problemas desse tipo com o pagamento. "Quase todos os anos eles atrasam, o que já é uma falta de respeito. Agora, nos pagar errado e depois cobrar é muito pior. Eles não nos dão um demonstrativo de pagamento, então não sabemos se realmente o valor veio errado."

Ela foi cobrada a devolver R$ 600 e disse que já havia gastado quase todo o dinheiro. "Sou professora aposentada da rede pública, não recebo muito. Então contava com esse dinheiro para pagar algumas despesas, como o dentista, por exemplo." Com receio de contestar a devolução do pagamento e não ser chamada para a edição da prova deste ano, ela devolveu o dinheiro.

Outra corretora da prova, que também não se identificou por causa da cláusula de sigilo, terá de devolver quase R$ 800. "Corrigi 2,5 mil redações no ano passado. Eu não sei se realmente recebi o que devia porque eles não nos mandam demonstrativos ou extratos do pagamento."

Pontual

O Cebraspe disse que o pedido de devolução dos pagamentos equivocados foi uma "situação pontual tendo em vista a complexidade do processamento e operação de pagamentos por meio de ordem bancária de mais de 15 mil pessoas que atuaram em diferentes funções no processo de correção".

Questionado, o Cebraspe não informou qual foi o valor total pago a mais de forma equivocada aos colaboradores. Também não comentou a reclamação dos colaboradores sobre a falta de transparência e a ausência de demonstrativo de pagamento.

Em nota, o Inep informou que o pagamento aos corretores é de responsabilidade do Cebraspe e que repassou R$ 348 milhões para que o centro pudesse realizar as atribuições para as quais foi contratado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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