Quando dizer é fazer





Autor Josué Cândido da Silva




Objetivos

- Familiarizar os alunos com os conceitos-chave da teoria dos atos de fala e a importância que essa teoria ocupa na virada lingüístico-pragmática da filosofia.

- Trabalhar as habilidades de formação e aplicação de conceitos, formular exemplos e investigação de texto.

Observação: as atividades propostas abaixo pressupõem que os alunos tenham lido o texto "Quando dizer é fazer". Além disso, o professor poderá realizar uma aula expositiva sobre o tema, para esclarecer possíveis dúvidas dos alunos.

Exercício 1: O jogo dos atos de fala

Os alunos formam duplas ou trios em que elaborarão quatro frases, sendo que, em cada uma delas, deverá haver um tipo de ato de fala predominante. Pois, como vimos no texto, um ato de fala perlocucionário é também ilocucionário e locucionário, mas não é esse o seu sentido dominante. Assim, os alunos poderão elaborar atos de fala predominantemente locucionários (L), quando a única ação do sujeito é a de realizar o ato de fala; ilocucionário (I), quando o sujeito realiza uma ação no ato de dizer algo; e perlocucionário (P), quando o sujeito pretende produzir um efeito em seu ouvinte.

Elaboradas as questões, um grupo disputará com outro da seguinte maneira: um grupo A lerá sua frase e verá se o grupo B classifica a sua frase do mesmo modo como eles a classificaram (L, I ou P). Caso a classificação coincida, o grupo B marcará ponto. A seguir, o grupo B lerá sua frase para o grupo A, repetindo o processo. Sempre há a possibilidade de que o próprio grupo tenha classificado errado sua frase, por isso, a aceitação ou não deve ser pautada pela argumentação de ambas as equipes em busca de um consenso. A mediação do professor deve ser no sentido de garantir que o diálogo ocorra de modo organizado. Caso considere que os alunos ainda não compreenderam adequadamente os conceitos, o professor pode fazer mais uma rodada, em que os grupos se enfrentarão com grupos diferentes da rodada anterior.

Exercício 2: força ilocucionária

Classifique as expressões abaixo com os números de 1 a 5 quando se tratarem de:

1 - veridictivas

2 - exercitivas

3 - comissivas

4 - conductivas

5 - expositivas

a) Parabéns pelo seu novo emprego! ( )

b) Na verdade, o que eu pretendia dizer é que eu trabalho melhor sozinho do que em grupo. ( )

c) Aonde você vai a esta hora da noite? ( )

d) Garanto que no que depender de mim, correrá tudo certo! ( )

e) Pelas evidências encontradas no local do crime, a única possibilidade é que Pedro seja o assassino. ( )

f) Isso não pode ficar assim! Exijo uma retratação imediata! ( )

g) Pobre João, se continuar com esse comportamento machista nunca conquistará o amor de Maria. ( )

h) - O senhor aceita esta mulher como sua legitima esposa?

- Sim. ( )

i) - Eu vos declaro marido e mulher. ( )

j) Espero que você não se meta novamente em encrencas. ( )

Feita a classificação, o professor pode propor aos alunos que leiam suas respostas e as justifiquem.

Respostas para controle: a-4, b-5, c-2, d-3, e-1, f-2, g-4, h-3, i-1, j-2.

Exercício 3: interpretação de texto

Responda às seguintes questões:

1) O que se pretende ao dizer que na teoria dos atos de fala "o uso da linguagem tem precedência sobre a semântica"?

2) Qual a nova tarefa da filosofia dentro da teoria dos atos de fala?

3) O que diferencia a investigação filosófica de outras ciências da linguagem?

4) Que tipo contribuições a investigação filosófica sobre a linguagem pode oferecer?

Interdisciplinaridade: Convide o professor de Sociologia para apresentar a teoria da ação social de Max Weber, depois promova um debate com os alunos, discutindo sobre em que casos um ato de fala poderia ser considerado uma ação social.

Josué Cândido da Silva
é professor de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus (BA).

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