Teoria do conhecimento





Autor Josué Cândido da Silva




Objetivos

  • Trabalhar as habilidades de interpretação de texto e síntese de idéias.
  • Trabalhar as habilidades de raciocínio e formação de conceitos.

Exercício: Interpretação de texto

Peça aos alunos que leiam o texto A dialética dos contrários.

Depois disso, eles deverão grifar a frase que sintetiza as idéias de cada parágrafo. A seguir, peça que realizem um resumo do texto a partir das idéias principais por eles selecionadas.

Exercício: Aprofundando os conceitos

Heráclito é o primeiro filósofo a propor que a luta no interior das próprias coisas é a causa da constante mudança da realidade. Essa forma de conceber a realidade é chamada de dialética e foi adotada por filósofos como Hegel e Marx.

No texto abaixo há uma explicação do que é contradição. Peça aos alunos que leiam o texto e procurem definir qual a diferença que a autora estabelece entre contradição e oposição. Depois peça que elaborem três exemplos de oposição e três de contradição. Verifique se os exemplos realmente correspondem aos conceitos.

Em geral confundimos contradição com oposição, mas ambos são conceitos muito diferentes. Na oposição existem dois termos, cada qual dotado de suas próprias características e de sua própria existência, e que se opõem quando, por algum motivo, se encontram. Isso significa que, na oposição, podemos tomar os dois termos separadamente, entender cada um deles, entender por que se oporão se se encontrarem e, sobretudo, podemos perceber que eles existem e se conservam, quer haja ou não haja a oposição. Assim, por exemplo, poderíamos imaginar que os termos "senhor" e "escravo" são opostos, mas isto não nos impede de tomar cada um desses conceitos separadamente, verificar suas características e compreender por que se opõem. A contradição, porém, não é isto. Na contradição só existe a relação, isto é, não podemos tomar os termos antagônicos fora dessa relação. São criados por essa relação e transformados nela e por ela. Além disso, a contradição opera com uma forma muito determinada de negação, a negação interna. Ou seja, se dissermos "o caderno não é o livro", essa negação é externa, pois, além de não definir qualquer um deles pode aparecer em outras negações, visto que podemos dizer: "o caderno não é o livro, não é a pedra, não é a casa, não é o homem, etc., etc.". A negação é interna quando o que é negado é a própria realidade de um dos termos, por exemplo, quando dizemos: "A é não-A". Só há contradição quando a negação é interna e quando ela for a relação que define uma realidade que é em si mesma dividida num pólo positivo e num pólo negativo, pólo este que é o negativo daquele positivo e de nenhum outro. Por exemplo, quando dizemos "a canoa é a não-árvore", definimos a canoa por sua negação interna, ela é a árvore negada, suprimida como árvore pelo trabalho do canoeiro. O trabalho do canoeiro consiste em negar a árvore como uma coisa natural, transformando-a em coisa humana ou cultural, isto é, na canoa. Numa relação de contradição, portanto, os termos que se negam um ao outro só existem nessa negação. Assim o escravo é o não-senhor e o senhor é o não-escravo e só haverá escravo onde houver senhor e só haverá senhor onde houver escravo.

(CHAUI, Marilena. "O que é Ideologia". São Paulo: Brasiliense, 34a edição, 1991, pp. 36-37)

Josué Cândido da Silva
é professor de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus (BA).

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