Wittgenstein e jogos de linguagem





Autor Josué Cândido da Silva




Objetivos

- Apresentar alguns aspectos importantes da filosofia do "segundo" Wittgenstein.

- Trabalhar as habilidades de formação de conceitos e interpretação de texto.

Observação: as atividades propostas abaixo pressupõem que os alunos tenham lido os textos Wittgenstein e os infinitos jogos de linguagem e Wittgenstein põe pragmática antes da semântica. Além disso, o professor poderá realizar uma aula expositiva sobre o tema, a fim de esclarecer possíveis dúvidas dos alunos.

Exercício 1: você é o filósofo

Leia o texto abaixo, de santo Agostinho, e responda: em que a posição de santo Agostinho difere da de Wittgenstein?

"Se os adultos nomeassem algum objeto e, ao fazê-lo, se voltassem para ele, eu percebia isto e compreendia que o objeto fora designado pelos sons que eles pronunciavam, pois eles queriam indicá-lo. Mas deduzi isto dos seus gestos, a linguagem natural de todos os povos, e da linguagem que, por meio da mímica e dos jogos com os olhos, por meio dos movimentos dos membros e do som da voz, indica ou foge. Assim, aprendi pouco a pouco a compreender quais coisas eram designadas pelas palavras que eu ouvia pronunciar repetidamente nos seus lugares determinados em frases diferentes. E quando habituara minha boca a esses signos, dava expressão aos meus desejos." (Agostinho, "Confissões", I, 8).

Exercício 2: analisando os conceitos

Cada filósofo compõe um pequeno "dicionário" de termos que lhe são próprios e cujo significado pode ser bastante diferente daquele empregado por outros filósofos. Assim, é sempre útil fazer um pequeno dicionário filosófico para cada autor que você estudar. Começando por Wittgenstein, verifique qual o significado de:

1) jogos de linguagem

2) formas de vida

3) pragmática

4) linguagem

5) regra

6) terapia da linguagem

Exercício 3: interpretação de texto

Como vimos em textos anteriores, muitos comentadores dividem o estudo das obras de Wittgenstein em dois períodos radicalmente distintos: o "primeiro" e o "segundo" Wittgenstein. Agora você poderá investigar se realmente Wittgenstein mudou de opinião quanto ao papel da filosofia. A seguir colocamos algumas frases do "primeiro" Wittgenstein, presentes no "Tractatus logico-philosophicus", e, logo abaixo, trechos do "segundo" Wittgenstein, presentes nas "Investigações filosóficas". Leia os trechos e discuta com os colegas se houve ou não mudanças consideráveis na forma como Wittgenstein vê o papel da filosofia.

O "primeiro" Wittgenstein:

"A filosofia não é uma teoria, mas uma atividade. Uma obra filosófica consiste essencialmente em elucidações.

O resultado da filosofia não são 'proposições filosóficas', mas é tornar proposições claras." (4.112)

"O método correto da filosofia seria (...) sempre que alguém pretendesse dizer algo de metafísico, mostrar-lhe que não conferiu significado a certos sinais em suas proposições." (6.53)

O "segundo" Wittgenstein:

"Quando os filósofos usam uma palavra - 'saber', 'ser', 'objeto', 'eu', 'proposição', 'nome' - e quando tratam de apreender a essência da coisa, então é preciso sempre perguntar: essa palavra é realmente usada assim, na língua em que ela se sente em casa? - Nós é que acabamos por reconduzir as palavras de seu uso metafísico a seu uso cotidiano." (IF, § 116).

"(...) A verdadeira descoberta é a que me torna capaz de romper com o filosofar, quando quiser. - A que acalma a filosofia, de tal modo que esta não seja mais fustigada por questões que colocam ela própria em questão. - Mostra-se agora, isto sim, um método por exemplos, e a série desses exemplos pode ser interrompida. - Resolvem-se problemas (afastam-se dificuldades), não um problema

Não há um método da filosofia, mas sim métodos, como que diferentes terapias (IF, §133)."

Josué Cândido da Silva
é professor de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus (BA).

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