Topo

Planos de aula

Ensino Fundamental


Sociologia - Formação do Estado brasileiro - 2

Renato Cancian

Formação do Estado brasileiro - 2

Tema

A consolidação do Estado escravista: estimativa de 13 aulas para o desenvolvimento do tema: aulas expositivas e trabalho final. A elaboração de seminários fica a critério do professor.

Problema a ser apresentado

No final da década de 1840 todas as revoltas e rebeliões provinciais que irromperam no Brasil desde a independência foram derrotadas. O período histórico do final da década de 1840 até metade da década de 1870 pode ser concebido como a fase de consolidação e estabilidade política do Estado escravista brasileiro.

Aulas 1 e 2: o Segundo Reinado

Abrangeu o período que vai de 1840 a 1889:

a) a ascensão de Pedro 2º ao trono marcou o início do Segundo Reinado. Ele assumiu o trono com 14 anos de idade porque sua maioridade foi antecipada;

b) a medida ficou conhecida como o "golpe da maioridade" e foi uma iniciativa dos políticos pertencentes ao Partido Liberal como uma alternativa ao governo regencial (1831-1840), que era apontado como a principal causa das frequentes rebeliões e agitações sociais do país.

Aulas 3 e 4: Segundo Reinado: a pacificação do país

O professor deve ministrar as aulas a partir dos seguintes tópicos:

a) cessaram as rebeliões provinciais que marcaram o panorama político dos governos regenciais e ameaçaram a ordem social e a unidade territorial do Estado brasileiro;

b) duas rebeliões que eclodiram ainda no período regencial chegaram ao fim no segundo reinado: a Baialada, em 1841; e a Farroupilha, em 1845;

c) a única grande rebelião iniciada no segundo reinado foi a Revolução Praieira, que eclodiu em 1848, na Província de Pernambuco, mas foi debelada no ano seguinte, em 1849; d) a paz interna advinda com o governo de Pedro 2º favoreceu a consolidação dos interesses da classe dominante, representada pelos grandes proprietários rurais.

Aulas 5 e 6: O poder econômico e político da lavoura cafeeira

A estabilidade política no Segundo Reinado foi amplamente favorecida pela comercialização mundial do café produzido no Brasil:

a) a expansão da lavoura cafeeira, a partir da segunda metade do século 19, deu novo impulso à economia agroexportadora, trazendo prosperidade econômica ao país e favorecendo a consolidação dos interesses dos grandes proprietários rurais;

b) a produção em larga escala do café começou no Rio de Janeiro, nas regiões de Angra dos Reis e Mangaratiba, a partir de 1830. Em seguida, as plantações se alastraram para o vale do rio Paraíba. A partir daí a produção voltou-se à exportação;

c) Por volta de 1850, a lavoura cafeeira se expandiu para o Oeste paulista, região favorecida pelas condições propícias do solo.

Aulas 7 e 8: Declínio da lavoura cafeeira do vale do Paraíba e ascensão dos cafeicultores paulistas

Na década de 1860 ficou evidente o cansaço dos solos do vale do Paraíba para o plantio do café. Como consequência, a classe de ricos proprietários agrários teve sua influência política e econômica diminuídas:

a) a mudança da lavoura cafeeira do Rio de Janeiro para São Paulo teve importantes consequências políticas;

b) a prosperidade da lavoura cafeeira paulista fez emergir um forte movimento provincial de oposição ao governo monárquico;

c) os cafeicultores paulistas passaram a representar o setor mais dinâmico da economia nacional; permaneceram utilizando o trabalho escravo, mas tomaram medidas no sentido de realizar a transição para o trabalho livre, por meio do incentivo à imigração estrangeira.

Aulas 9, 10 e 11: A trajetória do trabalho escravo e a transição para a lavoura capitalista

No transcurso do período imperial, o Estado e a sociedade permaneceram dependentes do trabalho escravo. As pressões internas e externas em favor da abolição foram determinantes para a promulgação de leis que impuseram limites à escravidão:

a) em 1834, a escravidão é abolida em todo o Império Britânico; em 1845, a Inglaterra promulga o Bill Aberdeen, que lhe dá o direito de aprisionar qualquer embarcação que traficasse escravos;

b) em 1850 é promulgada a Lei Eusébio de Queiroz, que acaba com o tráfico de escravos;

c) por iniciativa dos cafeicultores paulistas, ocorrem, em 1870, as primeiras experiências de estímulo à imigração italiana;

d) em 1871 é promulgada a Lei do Ventre Livre;

e) em 1885 é promulgada a Lei Saraiva-Cotegipe ou a Lei dos Sexagenários;

f) em 1888 é promulgada a Lei Áurea.

g) conclui-se que o fim do trabalho cativo foi um processo gradativo e marcou a transição da escravidão para o trabalho livre, que dá início ao desenvolvimento do capitalismo no Brasil.

Aulas 12 e 13: A emergência das aspirações republicanas e de oposição política ao regime monárquico

Os prósperos cafeicultores paulistas defenderam tenazmente a manutenção da escravidão, mas, progressivamente, tornaram-se adeptos dos princípios federalistas contidos nos ideais do movimento republicano:

a) em 1870 ocorre o lançamento do Manifesto Republicano; e em 1872 acontece a fundação do Partido Republicano;

b) na década de 1870, o Estado monárquico entrou em conflito com duas instituições importantes: o Exército e a Igreja Católica. Esses fatos ampliaram os movimentos de insatisfação com o governo monárquico;

c) uma aliança entre os ricos proprietários rurais do Oeste paulista e a elite militar do Exército levou à derrocada do governo e do regime monárquico, com a proclamação da República.

Aula 14: Trabalho final

A sugestão é de que o professor ofereça aos alunos a oportunidade de elaborar um trabalho final sobre o período do império, com foco em algum dos assuntos ou temas tratados.

Bibliografia

  • Carvalho, José Murilo de. A Construção da Ordem: teatro de Sombras. Editora Civilização Brasileira.
  • Textos do UOL Educação em História do Brasil e Sociologia.

é cientista social, mestre em sociologia-política e doutor em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: gênese e atuação política (1972-1985)".

Mais Ensino Fundamental