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Reforma Ortográfica

Portugal demora para adotar ortografia, critica especialista

Portugal "está atrasado na aplicação do acordo ortográfico" e a "bola está do lado do governo", declarou o linguista e acadêmico João Malaca Casteleiro, que participou da elaboração do documento.

O professor e membro da Academia de Ciências de Lisboa, que coordenou o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea editado em 2001, falava quinta-feira (23) à noite numa reunião promovida pela Biblioteca Municipal da Covilhã.

"A bola está do lado do governo", respondeu quando questionado sobre quando é que o acordo vai passar a vigorar.

  • Saiba tudo sobre o Acordo Ortográfico


  • "Neste momento- frisou - trata-se de uma decisão política, de estabelecer uma data de quando é que o acordo entra em vigor, nomeadamente nos diferentes graus de ensino, nos manuais escolares, nos jornais e nos organismos do governo".

    "Estamos atrasados, porque, nestas coisas, candeia que vai à frente alumia duas vezes", observou.

    "O Brasil com 200 milhões de falantes - argumentou - já decidiu e Portugal, que é o berço da língua, não decide. Esta situação a nível internacional é muito mal recebida. Quando Portugal se decidir, os outros países também entrarão nesta onda de adotar a nova ortografia".

    Segundo Malaca Casteleiro, o acordo precisa ainda da publicação de vocabulário mais amplo, mas as obras que já estão no mercado "do ponto de vista pedagógico e didático são suficientes".

    Diante de cerca de uma centena de pessoas, Malaca Casteleiro destacou os benefícios de o português "adotar do ponto de vista internacional a mesma roupagem, a mesma maneira de escrever, que é o que está em questão: é a grafia das palavras".

    "Não vejo contras. Esta é uma questão que se arrasta há praticamente 100 anos e precisava de ter uma solução. Este acordo ortográfico é essa solução. Não foi possível encontrar melhor. Mesmo os opositores ao acordo não apresentaram alternativas. Só criticam e contestam", acrescentou.

    Para o acadêmico, a petição contra o acordo ortográfico (iniciativa do escritor Vasco Graça Moura assinada por mais de 33.000 pessoas) "tem espaço para discussão no que respeita à aplicação do acordo", relativamente a questões "pragmáticas" ao nível da formação, junto de professores e alunos.

    "Mas não tem espaço - insistiu - no que respeita à revisão do acordo. A revisão implicaria uma nova negociação, o que é extremamente complicado e não se justifica".

    Durante a reunião, Malaca Casteleiro comentou ainda a posição de José Saramago, escritor português Nobel da Literatura, que já disse que não mudará a sua maneira de escrever.

    "É uma questão de teimosia, considerou. Acho que não compreende bem a função do acordo ortográfico. Coloca-se no pedestal da sua importância, inegável do ponto de vista literário, para atacar uma questão em relação à qual não acho que tenha razão".

    Em Portugal, o segundo protocolo do acordo ortográfico, cuja ratificação era essencial para a sua entrada em vigor, foi aprovado no Parlamento em maio e promulgado pelo presidente da República em julho. O acordo ortográfico foi aprovado em dezembro de 1990 por representantes de Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, porque Timor Leste só aderiu em 2004, após a independência junto à Indonésia.

    Para vigorar, o acordo tem de estar ratificado por um mínimo de três dos oito países, o que foi alcançado em 2006 com São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil, seguidos de Portugal.

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