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Voz passiva pronominal e sujeito indeterminado

Qual o papel do "se" nos dois casos?

Jorge Viana de Moraes*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Existem dois tipos de voz passiva: a passiva analítica e a passiva sintética.

A passiva analítica é formada pelo verbo ser somado ao particípio do verbo principal, como em: "São notados alguns sinais de recuperação na recém-abalada economia global". Nota-se que o verbo está no plural, concordando com o sujeito "alguns sinais de recuperação".

Para ter certeza, podemos permutar o sujeito pelo pronome eles e copiar o restante do enunciado, assim: "eles são notados na recém-abalada economia global".

A passiva sintética, por sua vez, apresenta-se com o pronome apassivador se somado ao verbo principal, que deverá concordar com o sujeito. Assim: "Conserta-se sapato", "Vendem-se casas".

Esses são exemplos dos chamados casos de oração com sujeito determinado paciente, exemplos que podem ser facilmente transformados em voz passiva analítica: "Sapato é consertado" e "Casas são vendidas".

Ubaldo L. de Oliveira (em A estrutura sintática da frase) lembra-nos que é fundamental não nos esquecermos da própria predicação verbal para determinarmos o sujeito paciente, pois voz passiva analítica ou voz passiva sintética só ocorre com o verbo transitivo direto (consertar, vender, etc.) ou verbo transitivo direto e indireto.

Sujeito indeterminado

Já quando usamos o pronome se como índice de indeterminação do sujeito, o verbo fica obrigatoriamente no singular.

Todavia, é fundamental entender que o se só pode indeterminar o sujeito quando o verbo for transitivo indireto, quer dizer, quando exige uma preposição antes do complemento, ou quando for intransitivo (sem complemento). Como em: "Confiava-se em sonhos", "Falou-se de coisas estranhas durante a noite", "Desistiu-se da proposta" e "Vive-se alegremente".

Ao contrário do sujeito determinado - que ocorre quando, pelo predicado, o locutor faz atribuição a um elemento especificado dentre vários (como, por exemplo, em "A lua surgiu entre os edifícios", em que o processo de "surgir entre os edifícios" está sendo atribuído especificamente à "lua" [e não ao sol, nuvens, estrelas, etc.]) -, o sujeito indeterminado ocorre quando a atribuição feita pelo predicado não se endereça a um elemento bem marcado entre vários, como em: "Trabalha-se muito por aqui". O processo de "trabalhar muito por aqui" não está sendo atribuído a um elemento específico, dentre vários.

Quadro-síntese dos traços distintivos entre pronome se apassivador e pronome se índice de indeterminação do sujeito:

Traços distintivos entre: deverá concordar com o sujeito VTD ou VTDI transformação em voz passiva analítica o verbo fica no singular VTI ou VI passiva sintética
se
pronome apassivador
+ + + _ _ +
índice de indeterminação do sujeito
_ _ _ + + _
*Jorge Viana de Moraes é mestre em Letras pela Universidade de São Paulo. Atua como professor em cursos de graduação e pós-graduação na área de Letras.

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