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Sociologia

Maoísmo (3)

A Revolução de 1949 e a República Popular da China

Renato Cancian*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Reprodução

Cartaz de propaganda: Mao é o Sol, irradiando uma nova mentalidade aos chineses

A Revolução de 1949 que deu origem a República Popular da China foi um processo social de longa duração, isto é, levou décadas para maturar e reunir as condições necessárias que permitiram aos comunistas chineses tomarem o poder e transformarem a China num país socialista.

Podemos dividir o processo revolucionário chinês em três etapas:

  • A primeira, associada à organização da guerrilha rural, entre 1930 a 1935.
  • A segunda, relacionada à participação e aliança dos comunistas revolucionários em aliança com os nacionalistas chineses na resistência nacional ao Japão, entre 1937 a 1945.
  • A terceira vinculada à radicalização da luta armada que provocou uma guerra civil e posterior conquista do poder pelos revolucionários comunistas, entre 1945 a 1949.

    Violência revolucionária

    A estrutura fundiária da China bloqueava completamente qualquer tentativa de organização autônoma do campesinato. Os proprietários de terra organizaram milícias que reprimiam permanentemente as revoltas camponesas.

    Por outro lado, o poder de âmbito local (ao nível da aldeia) e regional (ao nível da província) era monopolizado pelos senhores rurais por meio de relações clientelistas que impediam a participação democrática do campesinato.

    Com base na avaliação dos líderes comunistas, o processo revolucionário chinês só poderia se concretizar mediante a luta armada. O Partido Comunista Chinês (PCCh), fundado em 1921, organizou e liderou a guerrilha rural arregimentando camponeses.

    Progressivamente, o Partido avançou na tarefa de conscientização gradual das massas camponesas de modo a formar as bases do "exército vermelho" que, nas décadas seguintes desempenharia papel central na vitória dos revolucionários comunistas.

    Maoísmo à brasileira

    O maoísmo influenciou vários movimentos de esquerda revolucionários que surgiram na América Latina . No Brasil, por exemplo, dissidentes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) fundaram o Partido Comunista do Brasil (PC do B). O PC do B foi a organização partidária mais representativa das idéias maoístas no Brasil.

    Durante a ditadura militar (1964-1985), enquanto a maioria das organizações e partidos de esquerda clandestinos organizou guerrilhas urbanas, o PC do B organizou a única guerrilha rural, a Guerrilha do Araguaia.

    A Guerrilha do Araguaia surgiu em 1974, numa época em que praticamente as guerrilhas urbanas tinham sido derrotadas pelas forças repressivas da ditadura militar. Os guerrilheiros do PC do B tiveram o mesmo destino. A Guerrilha do Araguaia chegou ao fim dois anos depois, em 1976.



  • *Renato Cancian é cientista social, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais. É autor do livro "Comissão Justiça e Paz de São Paulo: gênese e atuação política - 1972-1985".

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