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26/02/2008 - 16h01

Impasse em acordo ortográfico ficou caricato, diz Saramago

Da redação


Lanzarote, Espanha - O escritor português José Saramago avaliou, nesta terça-feira (26), que a situação em torno do acordo ortográfico se tornou "caricata" e que é preciso cumprir o que foi assinado.

"Estiveram à mesa das negociações, discutiu-se o problema, chegou-se a um acordo e assinou-se. E depois não se cumpre, como em outras coisas no nosso país", afirmou o escritor português.

"O acordo existe e passou por umas quantas cabeças de um lado e de outro. Se for preciso, sentem-se outra vez à mesa, puxem as esferográficas e avancem, que isto já se está a tornar caricato", observou.

Considerando não ter "autoridade para defender um ponto de vista ou outro" sobre a matéria, Saramago rejeitou concepções "puristas" em torno da língua.

"Gosto da minha língua tal qual a escrevo, mas não posso impor a 150 milhões de pessoas os meus gostos pessoais. Recordo que aprendi a escrever mãe com 'e', depois me mandaram escrever com 'i', e depois voltaram a mandar escrever com 'e', quando a mãe era sempre a mesma", afirmou.

"Deviam preocupar-se agora era com as pessoas que não respeitam a língua, em vez de falar de pureza. A reforma de 1911 é que foi uma revolução autêntica, quando se reconheceu que a língua, na sua expressão ortográfica, era bastante confusa, mas resolveu-se tudo sem traumatismo, sem traumas culturais, intelectuais ou psíquicos", insistiu, mencionando a alteração no português que acabou com as consoantes duplas.

O que se quer
Para o Nobel, é importante decidir "o que se quer", frisando que a língua portuguesa "não é condenada à situação do húngaro, [idioma] fechado em fronteiras de onde não consegue sair".

"Evidentemente que, se escrevo a palavra 'objecto', gostava de a escrever com o 'c' entalado lá no meio, mas um brasileiro escreverá sem 'c'. Mas isso é grave? A pronúncia é igual", disse também o escritor.

Saramago cita os exemplos do Brasil e dos países africanos lusófonos, "onde as transformações idiomáticas, ortográficas e semânticas se aceleram" e onde "não continuam a falar o português do Almeida Garrett".

"Temos de acabar com a idéia de que somos os donos da língua. Os donos da língua são quem a fala, melhor ou pior", sublinhou.
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