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10/03/2009 - 07h00

Violência escolar em "Caminho das Índias" esquenta debate entre pais e professores

Simone Harnik
Em São Paulo
Zeca é o típico menino bonito, de família endinheirada, sem limites. Na escola, se envolve com brigas, hostiliza colegas, cria transtornos durante a aula. Detalhe: ele costuma se safar, a maior parte das vezes, com apoio ou conivência dos pais. A história, conhecida nas instituições de ensino de todo o país, esquentou o debate entre pais e professores que assistem à novela "Caminho das Índias", do horário nobre da Rede Globo.

  • De que forma podemos combater situações de violência na escola? Comente

  • Divulgação/Rede Globo
    O aprendiz de pitboy, Zeca, interpretado por Duda Nagle é defendido pela família
    VIOLÊNCIA É TEMA PARA ESCOLA
    1 MILHÃO DE CRIANÇAS SOFREM
    DF: CRIADO DISQUE-DENÚNCIA
    Para quem não conhece Zeca, interpretado por Duda Nagle, no decorrer da trama, o pitboy já uniu amigos para, por exemplo, espancar o colega Indra na quadra da escola. Na sala de aula, o rapaz foi um dos responsáveis pelo sumiço do laptop da professora.

    O blog da autora do folhetim, Glória Perez, traz a repercussão da polêmica sobre a violência escolar. Em um post do final de fevereiro, Glória se explica ao público e pede paciência nas discussões.

    "O assunto virou polêmica, e tenho recebido, aqui no blog, cartas de mães indignadas, que identificam o Zeca como uma personagem criada para demonizar alunos e santificar professoras! Calma, pessoal! o colégio é apenas um aspecto da vida do Zeca: a função da personagem é mostrar onde pode dar a falta de limites na criação de um jovem", escreve.

    E acrescenta: "Lembrem também que a escola da novela não é a escola típica brasileira: é um projeto experimental, onde duas professoras bem intencionadas (concordem que elas existem), tentam implantar a escola ideal". Uma delas, que vem sofrendo com a turma de Zeca, é Berê, vivida por Silvia Buarque.

    Mas o pedido para que os ânimos se aquietassem parece não ter tido sucesso: depois de postado, o texto recebeu mais de 200 comentários acalorados de pais e mestres.

    Revolta na família e entre os docentes

    "Está claro, claríssimo, que o Zeca é um personagem criado para agradar as professoras. As más professoras estão festejando. Ele é tudo que elas dizem dos alunos e pais", escreve um espectador no espaço de comentários do blog da autora.

    Em seguida, é rebatido: "Eu, como professora, gostaria de parabenizar a novelista pela caracterização. Se há quem se sinta agredido (a), deve existir quem perceba que precisa ser pai ou mãe mais presente".

    Divulgação/Rede Globo
    Sala de aula de Zeca e da professora Berê na novela "Caminho das Índias"

    Há até espectadores que se sentem traídos pela abordagem do folhetim: "O Zeca é mesmo um presente que a senhora deu aos professores e ao mesmo tempo uma punhalada nas costas dos pais e alunos".

    Por outro lado, análises sociológicas vêm sendo levantadas no blog de Glória. "É óbvio que alunos como o Zeca existem aos montes por aí. A falta de limite está em alta e a sociedade brasileira sabe muito bem disso", defende um internauta.

    O conflito deve ser mostrado na TV

    De acordo com a diretora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Maria da Graça Gonçalves, o assunto pode ser debatido, sim, mas com ponderações.

    "As novelas têm tido a preocupação de fazer a abordagem de temas polêmicos de forma 'educativa'. Falar sobre o assunto talvez seja até interessante. A preocupação é se o tema vai ser tratado como merece. Porque há o risco de ficar superficial ou caricaturado", afirma. "A violência de Zeca está naturalizada na família. O conflito é mais complexo que o de um aluno bonzinho ou malvado."

    De acordo com a acadêmica, para a trama enriquecer a discussão cotidiana, não pode terminar com Zeca impune, mas ele também não deve receber um castigo desmedido.

    "É difícil, porque a família não aceita conversar sobre o filho e a escola tem medo de perder o aluno. Nesse momento, é necessário pensar no projeto educacional. Qual o limite? Qual formação a escola quer garantir. Tem de haver o debate e ser construído caso a caso", afirma.

    Para professores na situação de Berê: "Não há receita. Os envolvidos na questão devem debater e refletir sobre o assunto", diz Maria da Graça.
    Os textos publicados antes de 1º de janeiro de 2009 não seguem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. A grafia vigente até então e a da reforma ortográfica serão aceitas até 2012

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