Sexualidade - Virgens à venda
Durante séculos, a virgindade foi considerada moeda de troca entre famílias, e a mulher tratada como mercadoria. Os pais negociavam o casamento das filhas para obterem bens, terras e prestígio. Esse hábito era sancionado pela Igreja Católica, que defendia o celibato antes do casamento.
Já no século 19 foi inventado o amor romântico e as pessoas passaram a se casar por afeto, não por interesses financeiros ou familiares. O comportamento mudaria mais uma vez na segunda metade do século 20, com as lutas pela emancipação feminina e a criação da pílula anticoncepcional. A mulher passou a ter direitos sobre seu corpo.
A virgindade, nesse contexto, deixou de ser uma imposição – da família, da religião ou da cultura – para se tornar uma opção individual.
Mas a decisão da catarinense Ingrid Migliorini, 20 anos, de leiloar sua virgindade na internet causou escândalo e repercussão na imprensa internacional e nas redes sociais. Ela e o russo Alexander Stepanov, 23 anos, participam de um programa australiano, misto de reality show e documentário, chamado “Virgins Wanted” (Procuram-se Virgens).
Os dois oferecem a primeira experiência sexual de suas vidas na internet para quem der o maior lance.
Treze homens inscritos, sendo oito deles brasileiros, ofereceram quantias de US$ 1 a US$ 255 mil (R$ 510 mil) pela virgindade de “Catarina” (pseudônimo de Ingrid). O leilão tinha data prevista para terminar em 14 de outubro, mas foi adiado até o próximo dia 25.
Não é a primeira vez que a internet é usada como meio para garotas venderem a virgindade. Em 2005, a modelo peruana Graciela Yataco desistiu da oferta de US$ 1,5 milhão (R$ 3 milhões) após sofrer pressões em seu país.
Beijo
Porém, a forma como o leilão foi organizado, desta vez, é inédita. Ingrid inscreveu-se no programa há dois anos. Ela foi examinada por um médico, que atestou que seu hímen está intacto.
Se o cronograma atual da produção for mantido, a sua primeira relação sexual ocorrerá em 5 de novembro, em um voo entre a Austrália e os Estados Unidos. O local foi escolhido pelos produtores para evitar problemas com as leis contra a prostituição de ambos os países.
O contrato estabelece ainda que o ganhador terá uma hora para realizar o ato, deverá usar preservativo e não poderá beijar a virgem.
O documentário vai mostrar a vida de Ingrid – e do russo – antes e depois da perda da virgindade. O ato sexual não será filmado.
O caso de Alexander, obviamente, não despertou tanto interesse. Até o final de setembro, seis pessoas, todos homens, haviam dado lances máximos de US$ 1.300 (R$ 2.640). No dia 14, uma australiana fez um lance de US$ 2 mil (R$ 4 mil), para alívio do rapaz, que espera fazer sexo com uma mulher.
Há ainda o risco de os lances serem fictícios, ou seja, de os concorrentes, protegidos pelo anonimato, estarem apenas brincando. Em caso de desistências, o casal pode ser obrigado a fazer sexo por até um dólar, o valor da aposta mínima.
Pobres
No Brasil, país de população de maioria cristã (87,%) e conhecido no exterior pelo turismo sexual, a divulgação do caso gerou críticas.
Para feministas, o documentário explora e comercializa o corpo da mulher, além de reforçar um estereótipo de submissão ao homem. Essa crítica é amparada por campanhas contra violência e exploração sexual no país. De acordo com um estudo do Instituto Sangari, 91 mil mulheres foram mortas no Brasil de 1980 a 2010, 43,5 mil somente na última década. Em relação à exploração sexual, não há dados abrangentes.
Em entrevista, Ingrid disse que usará o dinheiro para financiar estudos de Medicina e para fundar uma ONG dedicada à construção de moradias para a população carente de Santa Catarina.
Os pais da moça, apesar de não concordarem, afirmaram que apoiam a decisão da filha. Outros que defendem a estudante argumentam que a virgindade deixou de ser tabu e que, por isso, não há nada de errado no modo como a pessoa decide fazer sexo pela primeira vez.
Seria, na verdade, um retorno aos tempos antigos, em que a virgindade era vista como um negócio, mas, adequando-se à revolução feminista, uma transação operada pela parte realmente interessada: a dona do corpo.
Fique Ligado
A notícia se insere no contexto mais amplo das mudanças nos costumes, tanto pelo aspecto ligado à sexualidade, quanto pelo fato de o leilão ocorrer on-line, via internet. Pode gerar debates quanto aos direitos das mulheres sobre o próprio corpo, sobre os limites de procedimentos comerciais envolvendo o corpo humano, sobre os valores morais e suas mudanças desde a revolução nos costumes ocorrida na década de 1960. Nesse sentido, o leilão da virgindade de Ingrid se relaciona a outras notícias que já foram focalizadas aqui ao longo do ano, envolvendo moral, costumes e internet. |
Direto ao ponto
No dia 14 de outubro foi prorrogado (até o dia 25) o leilão da virgindade da catarinense Ingrid Migliorini, 20 anos, que repercutiu na imprensa internacional. Ela e o russo Alexander Stepanov, 23 anos, participam de um programa australiano chamado “Virgins Wanted” (Procuram-se Virgens).
Os dois oferecem a primeira experiência sexual de suas vidas na internet para quem der o maior lance. Treze homens inscritos, sendo oito deles brasileiros, ofereceram quantias de US$ 1 a US$ 255 mil (R$ 510 mil) pela virgindade de “Catarina” (pseudônimo de Ingrid).
A primeira relação sexual da garota ocorrerá em 5 de novembro, em um voo entre a Austrália e os Estados Unidos. O local foi escolhido pelos produtores para evitar problemas com as leis contra a prostituição dos países. O documentário vai mostrar a vida de Ingrid – e do russo – antes e depois da perda da virgindade.
Para feministas, o documentário explora o corpo da mulher e reforça um estereótipo de submissão ao homem. Defensores da catarinense argumentam que a virgindade deixou de ser tabu e que, por isso, não há nada de errado no fato de um adulto comercializar sua primeira relação sexual. |
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