Câncer - tipos mais comuns: Doença tem grande incidência no Brasil

Alice Dantas Brites*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Câncer é o nome dado a mais de 100 doenças que afetam diversos órgãos e tecidos, e que têm em comum a multiplicação celular anormal. Esta divisão descontrolada forma massas celulares chamadas de tumores. As células cancerígenas podem se espalhar do seu local de origem para outras partes do organismo num processo chamado de metástase.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), entre os anos de 2008 e 2009 ocorrerão mais de 400.000 novos casos de câncer no Brasil. Dentre esses casos, o instituto estima que, entre os homens, o maior número de ocorrências, cerca de 49.000, será de câncer de próstata. Já entre as mulheres a estimativa é de mais de 49.000 novos casos de câncer de mama. No total, devem ser mais de 460.000 casos de câncer na população brasileira.

A seguir, conheceremos um pouco sobre alguns tipos de câncer com grande incidência no Brasil: leucemia, câncer de mama e câncer de próstata.

Leucemia

O nome leucemia serve para designar o câncer que afeta os glóbulos brancos (leucócitos) do sistema imunológico. Como existem diferentes tipos de glóbulos brancos - por exemplo, linfócitos e neutrófilos -, podemos dizer que existem vários tipos de leucemia.

No entanto, todas as leucemias se caracterizam pela multiplicação anormal de glóbulos brancos fabricados pela medula óssea. Esse crescimento anormal prejudica a produção dos demais elementos do sistema sanguíneo, as hemácias e as plaquetas. Assim, o portador de leucemia freqüentemente apresenta problemas de cicatrização e anemia. Porém, além de se multiplicar em grande quantidade, os leucócitos produzidos são deficientes e não atuam na defesa do organismo. Portanto, o sistema imunológico fica seriamente comprometido.

De acordo com a manifestação e evolução dos sintomas, fala-se em leucemia aguda ou crônica. A aguda caracteriza-se por uma forte manifestação dos sintomas, como hemorragias, anemia e infecções constantes. Já na leucemia crônica, a evolução se dá lentamente, de forma que tais sintomas não se manifestam e a doença só é detectada através de resultados anormais de exames sanguíneos.

O diagnóstico geralmente é realizado através de uma combinação de exames que incluem exames físicos, de sangue, biópsias (remoção e exame de tecidos ou células vivos), entre outros. Dependendo do tipo de leucemia e das características pessoais do paciente, o tratamento pode ser realizado através de radioterapia, quimioterapia, transplante de medula ou uma combinação dessas técnicas.

Câncer de mama

O câncer de mama ocorre quando as células da glândula mamária se multiplicam de forma anormal, provocando a formação de tumores malignos. O câncer de mama é muito raro em homens. Acredita-se que isso ocorra pelo fato de o estrógeno, um hormônio feminino, ser um estimulante da multiplicação das células mamárias, estando envolvido no desenvolvimento desse tipo de câncer.

Os motivos que levam a essa multiplicação anormal e, conseqüentemente, ao câncer de mama, não estão totalmente elucidados. Porém, sabe-se que existem alguns fatores que aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença. Entre eles estão: a idade - a maior incidência desse tipo de câncer ocorre em mulheres acima dos 65 anos -, histórico familiar - ou seja, a predisposição genética - e, aparentemente, mulheres que nunca tiveram filhos, pois apresentam uma maior propensão ao desenvolvimento da doença.

O primeiro sintoma do câncer de mama é a presença de um pequeno nódulo nos seios. Porém, a presença de nódulos não significa necessariamente a presença de câncer, podendo ser um cisto ou um tumor benigno. Quanto mais cedo é realizado o diagnóstico, maiores são as chances de cura.

http://www.wi.mit.edu/news/archives/2007/rw_0813.html
Células do câncer de mama. Fonte: Whitehead Institute for Biomedical Research.

Portanto, ao notar qualquer alteração nos seios é importante que se procure um médico, para que este realize os exames necessários. Geralmente, o médico realiza inicialmente um exame físico, seguido de uma mamografia (técnica que utiliza raios X para analisar o tecido das mamas) e, se necessário, de uma biópsia para avaliar a natureza do nódulo. Mesmo sem apresentar nódulos palpáveis, recomenda-se que as mulheres, a partir dos 40 anos, ou mais cedo no caso de histórico familiar, realizem mamografias periódicas.

O tratamento do câncer de mama depende de diversos fatores, como o estágio de desenvolvimento do câncer, a presença de metástase, a idade e o histórico médico da paciente. Assim, pode ser realizado o tratamento através de medicamentos contendo hormônios e quimioterápicos, associados ou não a sessões de radioterapia. A remoção cirúrgica do tumor também pode ser necessária, seguida de quimio ou radioterapia.

Câncer de próstata

A próstata é uma glândula do aparelho reprodutor masculino, responsável pela produção do líquido espermático. O câncer de próstata corresponde à multiplicação anormal das células dessa glândula, que acaba por aumentar de volume.

O crescimento da próstata comprime a bexiga, provocando alguns sintomas como dificuldade e dor para urinar, sensação constante de bexiga cheia, disfunção erétil, entre outros. O câncer de próstata pode se espalhar para outras partes do corpo, sendo que é comum que a metástase atinja o sistema linfático.

Alguns fatores aumentam a probabilidade do desenvolvimento da doença. Entre eles, podemos citar a idade - sendo mais comum em homens com mais de 50 anos -, a predisposição genética - a ocorrência da doença em parentes próximos aumenta em até 20% a probabilidade de desenvolvimento desse câncer - e dietas desbalanceadas e ricas em gorduras, entre outros.

Assim como os demais tipos de câncer, um diagnóstico precoce é fundamental para um tratamento bem-sucedido. Portanto, recomenda-se que, a partir dos 50 anos, os homens realizem periodicamente exames capazes de detectar a presença de câncer.

Esses exames consistem no exame de toque retal e um exame de sangue, que detecta a presença do "antígeno prostático" (PSA), que pode se alterar na presença da doença. Dependendo dos resultados, o médico urologista pode solicitar outros exames, como, por exemplo, uma biópsia para analisar a presença de células cancerígenas em amostras de tecidos da glândula.

Ainda há grande resistência e preconceito, por parte da população masculina, em realizar o exame de toque, fator que contribui para os índices elevados dessa doença na população mundial.

Assim como os demais tipos de câncer, o câncer de próstata pode ser tratado através de uma série de técnicas. Dependendo do estágio da doença e de características pessoais do paciente, pode ser realizado um tratamento à base de hormônios, quimioterapia, radioterapia, remoção cirúrgica do tumor, ou, ainda. através da combinação desses tratamentos.

Alice Dantas Brites*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação *Alice Dantas Brites é professora de biologia



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