Diabetes: Doença afeta controle de níveis de glicose no sangue

Alice Dantas Brites

A diabetes mellitus é uma doença, popularmente conhecida como diabetes, relacionada a distúrbios no controle da glicemia. Os diabéticos apresentam altas concentrações de glicose no sangue (hiperglicemia). Esse excesso de açúcar é excretado através da urina, vindo daí o nome "mellitus", pois a urina de um diabético ficaria doce como mel. Os principais sintomas da diabetes são: vontade freqüente de urinar, muita sede, dores nos membros inferiores, cansaço, perda de peso e visão embaçada.

Insulina e o glucagon

O controle da concentração de glicose no sangue (glicemia) é realizado por dois hormônios produzidos pelo pâncreas: a insulina e o glucagon. O pâncreas é uma glândula mista, ou seja, possui função exócrina, secretando enzimas digestivas no interior do intestino, e também endócrina, secretando hormônios na circulação sanguínea.

A porção endócrina deste órgão é formada por conjuntos de células chamados de ilhotas de Langerhans. Cada uma destas ilhotas é formada por dois tipos de células, as células beta, que produzem a insulina, e as células alfa, que produzem o glucagon.

 


A insulina permite que os diversos tecidos do corpo absorvam a glicose do sangue, levando, portanto, a uma diminuição da glicemia. Já o glucagon estimula a quebra do glicogênio, armazenado no fígado, em moléculas de glicose, que são liberadas na circulação sanguínea.

Dois tipos de diabetes

Existem dois tipos de diabetes: tipo 1 e tipo 2. A diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune, ou seja, uma enfermidade na qual o sistema imunitário não reconhece células do próprio corpo, destruindo-as como se fossem agentes invasores. Neste caso, o sistema imunitário destrói as células beta do pâncreas. A morte de células beta leva à queda na produção de insulina e, conseqüentemente, ao aumento na taxa de glicose no sangue. Esse tipo de diabetes geralmente surge na infância ou adolescência e acredita-se que tenha origem hereditária.

A diabetes tipo 2 é mais comum em adultos e parece estar relacionada à obesidade e ao sedentarismo. Neste caso, o pâncreas produz insulina, mas a glicose não é absorvida pelos tecidos.

Isto ocorre devido a uma diminuição na quantidade de receptores de insulina presentes nas células alvo ou devido a uma redução na sensibilidade de tais receptores. Em alguns casos, o pâncreas produz uma quantidade de insulina abaixo do normal, o que, somado à redução da sensibilidade dos receptores, leva a uma dificuldade ainda maior no controle da glicemia.

Tratamentos

O tratamento da diabetes tipo 1 é feito através de injeções de insulina sintética, com dosagem e freqüência determinadas pelo médico endocrinologista, de acordo com o metabolismo de cada paciente. Pesquisas vêm sendo realizadas a respeito da eficácia de transplantes das ilhotas de Langerhans de indivíduos saudáveis para os diabéticos.

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um tratamento inovador, ainda em fase experimental, que utiliza a quimioterapia aliada ao transplante de células-tronco da medula óssea no combate da diabetes tipo 1. Inicialmente, o sistema imunológico do paciente é atacado pela quimioterapia, o que destrói as células de defesa responsáveis pelo processo inflamatório que leva à morte das células beta do pâncreas.

Em seguida, são injetadas células-tronco, originárias da medula óssea do próprio paciente, na circulação sanguínea. Estas células possuem a capacidade de se diferenciar e originar outros tipos de célula, e irão recriar o sistema imunológico que, por sua vez, deixará de atacar as células beta, permitindo que elas produzam insulina normalmente.

A diabetes tipo 2 é controlada através de medicamentos orais que aumentam a sensibilidade das células à insulina e, quando necessário, da aplicação de injeções de insulina. Nos dois tipos, o cuidado com a alimentação e a prática de exercícios físicos são essenciais para o controle eficaz da doença. Alimentos ricos em açúcar devem ser evitados ou substituídos por similares dietéticos. Já a atividade física tem papel fundamental no metabolismo dos açúcares e na regulação da glicemia.

Diabetes e medo de injeção

Algumas das conseqüências ocasionadas pelo tratamento inadequado dessa doença são: problemas circulatórios, insuficiência renal, cegueira e gangrena dos membros inferiores. Atualmente, estima-se que cerca de 10% dos brasileiros sejam diabéticos e que cerca de 75% dos portadores não controlem a doença de forma adequada.

Uma das principais barreiras impostas ao sucesso do tratamento é a rejeição e o medo dos pacientes da aplicação diária de injeções de insulina. Com o objetivo de contornar este problema, alternativas à insulina injetável vêm sendo pesquisadas, como a insulina em pó, que pode ser inalada e evita a desagradável picada da agulha.

A diabetes é uma doença para a qual ainda não existe cura. Porém, quando diagnosticada e tratada de forma correta, juntamente com a adoção de hábitos de vida saudáveis, pode ser controlada, permitindo que o diabético leve uma vida normal.

Alice Dantas Brites é professora de biologia.



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