Pinguins: Aves marinhas trocaram o voo pela natação

Alice Dantas Brites, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Os pinguins são aves marinhas, pertencentes à família Spheniscidae, e, embora não possam voar, são capazes de nadar longas distâncias. Algumas espécies chegam a passar mais de 70% de suas vidas dentro da água. Atualmente os pinguins são representados por 18 espécies, mas registros fósseis indicam que já existiram 32 espécies.

Acredita-se que os ancestrais dos pinguins se diferenciaram há mais de 40 milhões de anos, perdendo a capacidade de voar, mas se adaptando à vida marinha e adquirindo a capacidade da natação.

Esses animais existem somente no hemisfério sul, sendo muito comuns na Antártida. Ocorrem também em regiões mais quentes, como a Nova Zelândia, sul da África, Austrália e América do Sul, e até em regiões próximas ao equador, como o arquipélago de Galápagos.

 

Características gerais dos pinguins

As maiores espécies de pinguins chegam a medir 1 metro de comprimento e pesar até 30 quilos. Já as menores chegam no máximo a 40 centímetros e 2 quilos.

Os pinguins são bem adaptados à natação, pois possuem corpo alongado e asas modificadas em musculosas nadadeiras. Suas penas são mais curtas e ocorrem em maior número do que na maioria das aves, protegendo-os do frio e impedindo o contato da pele com a água. Uma ou duas vezes por ano, ocorre uma muda e as penas velhas e gastas são substituídas por novas. Durante o período de troca os pinguins não entram no mar.

Todas as espécies apresentam padrão de coloração no qual a região dorsal é escura e a ventral branca. Essa coloração serve como camuflagem no meio marinho. Um predador que olhe de baixo para cima verá uma mancha branca, que se confundirá com o gelo ou com a claridade do sol. Já um predador olhando de cima para baixo verá uma mancha preta, semelhante ao fundo do oceano.

Os pés dos pinguins ficam na extremidade posterior do corpo e as pernas são curtas. Essa disposição permite que o animal fique de pé quando está em terra firme. Para andar, ele se utiliza do apoio proporcionado pela cauda e pelas nadadeiras. Durante a natação, os pés são mantidos unidos e esticados para trás.

 

Alimentação

Os pinguins se alimentam no mar, comendo peixes e lulas ou pequenos crustáceos chamados krill. São capazes de mergulhar atrás de suas presas, permanecendo submersos por vários minutos. Geralmente, o formato dos bicos está relacionado com a dieta. As espécies que se alimentam de peixes e presas maiores possuem bicos mais longos e resistentes. As que comem presas pequenas têm os bicos mais curtos e delicados.

Beber água do mar não é problema para esses animais, pois eles possuem uma glândula capaz de secretar o excesso de sal que se acumula na circulação sanguínea.

 

Comportamento dos pinguins

A maioria das espécies vive em grandes colônias, nadando e caçando em grupo. Durante o inverno, os indivíduos que habitam regiões frias costumam se manter bem próximos uns dos outros, formando um enorme círculo. Dessa forma, eles se aquecem e impedem a circulação dos ventos gelados pela colônia.

Para se comunicar, os pinguins emitem vários tipos de vocalização e realizam diversos movimentos corporais. Assim, eles conseguem trocar informações sobre a proximidade de predadores, escolher parceiros reprodutivos e reconhecer os filhotes.

 

Reprodução

A maioria das espécies se acasala uma vez ao ano, durante as estações mais quentes. Ao longo da estação reprodutiva, os casais permanecem unidos, podendo, ou não, se reencontrar na próxima estação. Por isso dizemos que o pinguim é um animal monogâmico. O comportamento de corte, ou seja, de conquista do parceiro, inclui vocalizações e movimentos corporais, cabendo à fêmea a escolha de seu par.

Alguns pinguins preparam seus ninhos com pequenas pedrinhas, onde depositam o ovo. Outros mantêm os ovos sobre os pés, evitando o contato com o solo, aquecendo-os com o calor do corpo. O período de incubação dura de um a dois meses.

Tanto o pai como a mãe tomam conta do filhote, se revezando nas tarefas de busca de alimento e proteção. Os pinguins cuidam dos filhotes até que eles sejam capazes de nadar em busca do próprio alimento. Isso pode levar, dependendo da espécie, de dois a 13 meses.

 

Pinguins no Brasil

Durante o inverno, é comum encontrar pinguins nas praias brasileiras. A espécie que chega ao nosso litoral é o pinguim de Magalhães, que vive ao longo da costa sul da América do Sul. Geralmente, os animais que chegam aqui são jovens que saem em busca de comida, acabam se perdendo do grupo e são arrastados pelas correntes marinhas. Quando conseguem chegar vivos às nossas praias já estão famintos e muito debilitados.

O pinguim de Magalhães não vive no gelo, habitando regiões nas quais a temperatura varia entre 7° e 30°C. Por isso, ao encontrar um desses animais na praia, não devemos, em hipótese alguma, colocá-lo no gelo, pois ele pode entrar em hipotermia (redução da temperatura corpórea) e morrer. Devemos mantê-lo em local seco e aquecido, como uma caixa forrada de jornal, e procurar ajuda de um veterinário imediatamente.

Alice Dantas Brites, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é professora de biologia.



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