Concentração: Alterações na concentração

Fábio Rendelucci

Alterar a concentração de uma substância é algo que, mesmo sem perceber, fazemos várias vezes ao dia. Um exemplo é o preparo, numa tarde muito quente, de um suco de frutas bem gelado, desses que vêm em garrafas. A receita é simples: em geral, dois copos de água para cada copo de suco concentrado. É exatamente esse acréscimo de água o responsável por alterar a concentração da substância saborosa.

(Se você não estiver familiarizado com o termo concentração , aconselho que dê uma lida nos textos Densidade, concentração e molaridade e Soluções.)

Uma solução é composta por duas coisas: o soluto (aquilo que se vai diluir - no caso, o suco) e o solvente (no nosso exemplo, a água). A concentração da solução é a relação entre a massa do soluto e o volume de solvente. Alterar a concentração de uma solução é alterar ou a quantidade de soluto ou o volume de solvente.

Quando preparamos nosso suco, o "concentrado" que vem na garrafa é o soluto, e a água que adicionamos é o solvente. Quanto mais água acrescentamos, maior o volume de solvente e, por conseqüência, menor a concentração da solução. Em linguagem científica: se C=m/V, a concentração (C) é inversamente proporcional ao volume (V).

O processo de diminuição da concentração recebe o nome de diluição . Diluir uma solução nada mais é do que diminuir sua concentração colocando nela mais solvente, sem alterar a massa do soluto.

Cálculo da concentração

Como calcular a nova concentração de uma solução que foi diluída?

A concentração de uma solução é dada por:

Vamos chamar de C1 a concentração inicial, V1 o volume inicial (de solvente), m1 a massa inicial (de soluto), C2 a concentração final, V2 o volume final (de solvente) e m2 a massa final (de soluto). Lembre que na diluição não há alteração na massa de soluto, ou seja, m1 = m2.

Formas de se alterar a concentração

Podemos alterar a concentração de uma solução de outras maneiras que não incluam adicionar mais solvente. Podemos, por exemplo, adicionar mais soluto. É o que acontece quando adoçamos uma xícara de café, percebemos que ele ainda está amargo e colocamos mais açúcar. Nesse caso, alteramos a concentração de açúcar no café "para mais" - portanto, não se trata de uma diluição.

Mas há outro fenômeno muito comum, que é a alteração de concentração pela perda de solvente. Imagine uma solução de água e sal de cozinha. Se levarmos essa solução ao fogo, perceberemos a evaporação da água. Se diminuirmos o volume de solvente, estaremos aumentando a concentração - portanto, não se trata, aqui também, de uma diluição. Esse fenômeno acontece muito no mar, onde a incidência solar faz com que a água evapore, tornando a camada superficial mais concentrada, conseqüentemente mais densa e, por isso, capaz de afundar. Esse processo é um dos responsáveis pelas correntes marítimas.

Podemos retirar soluto?

Sim, podemos, mas esse pode ser um processo extremamente trabalhoso e economicamente inviável. Quer um exemplo? Sabemos que a solubilidade de um sal depende da temperatura. Podemos resfriar uma solução até que parte do sal dissolvido precipite. Filtramos a solução e, desse modo, conseguimos retirar parte do soluto. Isso, porém, não funciona em qualquer caso. Não daria certo, por exemplo, em soluções de baixa concentração.

Cuidado ao diluir ácido sulfúrico

Quando, em laboratório, precisamos diluir ácido sulfúrico (H2SO4) - muito higroscópico, isto é, que absorve a umidade do ar -, o procedimento correto e mais seguro é adicionar ácido à água, e não água ao ácido. Isso evita possíveis respingos que, em se tratando de ácido sulfúrico, nunca são convenientes.

Dividir uma solução em mais de um recipiente não altera sua concentração. Se pegarmos um bule de café muito doce e o servirmos em várias xícaras, teremos várias xícaras de café muito doce.


 

Fábio Rendelucci é professor de química e física, diretor do cursinho COC-Universitário de Santos e presidente da ONG Sobreviventes.

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