Político brasileiro

Adhemar de Barros

22 de abril de 1901, Piracicaba, Estado de São Paulo (Brasil)<br> 7 de janeiro de 1969, Lourdes (França)​





Autor Da Página 3 Pedagogia & Comunicação




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    Adhemar de Barros conspirou a favor do golpe militar de 64 e depois foi cassado

    Adhemar de Barros conspirou a favor do golpe militar de 64 e depois foi cassado

Filho de Antônio Emídio de Barros e de Elisa Pereira de Barros, Adhemar Pereira de Barros bacharelou-se médico em 1923. Trabalhando no Instituto Osvaldo Cruz, permaneceu no Rio de Janeiro até a eclosão da Revolução Constitucionalista de São Paulo.

Iniciou sua carreira política concorrendo às eleições de outubro de 1934 para a Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Eleito, pelo Partido Republicano Paulista (PRP), a uma vaga de deputado, participou, em 1935, da elaboração da Constituição do estado.
 

Estado Novo

Reeleito para uma nova legislatura, perdeu, contudo, o mandato, pois, em 10 de novembro de 1937, um golpe militar, chefiado pelo presidente Getúlio Vargas, implantou o Estado Novo, cancelando eleições e suprimindo partidos políticos e órgãos legislativos.

Os estados passam, então, a ser governados por interventores federais, nomeados pelo presidente da República. Em abril de 1938, Adhemar torna-se interventor do governo de São Paulo.

Em março de 1940, por ordem de Vargas, Adhemar determina a intervenção no jornal O Estado de São Paulo, da família Mesquita, que fazia cerrada oposição ao Estado Novo. Somente em dezembro de 1945 o jornal seria devolvido a seus proprietários.

No final de 1940 o crescimento político de Adhemar já incomodava os seguidores de Vargas. Acusado de conspirar contra o ditador e de malversação de recursos públicos, Adhemar é demitido em junho de 1941, sem direito à defesa.

Restabelecidas as eleições, Adhemar de Barros foi eleito governador de São Paulo para o período 1947-1951. Sua administração se caracterizou pela realização de grandes obras públicas. Criou o Plano da Casa Própria Popular, construiu o emissário de Tamanduateí, concluiu as obras do Hospital das Clínicas e das vias Anhanguera e Anchieta, aumentou o número de escolas industriais no interior, criou a Comissão de Assistência Técnica à Lavoura e ampliou a Escola de Agronomia Luís de Queirós, em Piracicaba.
 

Reeleição de Vargas

No final de seu mandato, Adhemar já é candidato à presidência da República. Contudo, para não deixar o governo nas mãos do vice-governador, Novelli Júnior, genro do então presidente general Eurico Gaspar Dutra, de quem se tornara adversário, desiste de sua candidatura e lança a de Getúlio Vargas, que estava recolhido em uma de suas fazendas, no Rio Grande do Sul.

Nas eleições de 1950 Adhemar não só garante a vitória de Vargas, como também elege seu sucessor no governo do Estado, Lucas Nogueira Garcez.

Durante a campanha eleitoral ao governo do Estado, um dos candidatos, Jânio Quadros, dá início a uma vasta campanha de desmoralização pessoal e administrativa de Adhemar.

Sagrando-se vitorioso, Jânio Quadros volta à ofensiva, com o objetivo de liquidar politicamente Adhemar de Barros. No início de março de 1956, o ex-governador é condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a dois anos de reclusão. Parte, então, para o exílio, na Bolívia. Em 9 de maio de 1956, contudo, o Supremo Tribunal Federal (STF) concede habeas-corpus a Adhemar.

Disposto a retornar à política, Adhemar articula sua candidatura à prefeitura de São Paulo, em 1957. Vitorioso, comanda a prefeitura entre 1957 e 1961, recuperando prestígio.

Em agosto de 1958 anuncia sua candidatura ao governo de São Paulo. Perde para Carvalho Pinto, por pequena margem, mas consegue rearticular suas forças no interior.
 

Golpe de 64

Eleito novamente ao governo do estado, rompe com o então presidente da República, João Goulart. Também se alia aos governadores Carlos Lacerda (da Guanabara) e Magalhães Pinto (de Minas Gerais), a fim de colocar toda a força econômica, política e militar de São Paulo a serviço da conspiração que culminou no golpe militar de 1964.

Torna-se uma das principais lideranças civis na sustentação do governo militar, até que o presidente general Castelo Branco, com o Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, dissolve todos os partidos políticos e estabelece que as eleições para presidente e governadores seriam realizadas de forma indireta. Inconformado, Adhemar passa a conspirar abertamente contra o governo militar. Em 6 de junho de 1966, tem seu mandato de governador cassado pelo Ato Complementar nº 10.

Adhemar parte, então, para um novo exílio. Em Nova York, submete-se a tratamento médico e cirurgias. Aparentando estar bem, viaja a Lourdes, santuário no sul da França. Lá, no entanto, sofre uma síncope e falece.

Adhemar de Barros foi casado com Leonor Mendes de Barros, com quem teve dois filhos.
 

Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930 (Editora Fundação Getúlio Vargas); Enciclopédia Mirador Internacional; Acervo Adhemar de Barros (http://www.adhemar.debarros.nom.br)

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