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Biografias

Alexander Soljenitsyn Escritor russo

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

08/08/2005 12h33

"Um grande escritor é, por assim dizer, um segundo governo em seu país. E por esta razão regime algum jamais amou seus grandes escritores, apenas os pequenos." Esta reflexão faz parte do livro "O Primeiro Círculo", publicado em 1968 pelo escritor Alexander Soljenitsyn, um dos mais ferozes críticos do regime soviético.

Alexander Soljenistsyn era filho de um oficial de artilharia que morreu seis meses antes de seu nascimento. Foi criado pela mãe na cidade de Rostov, manifestando desde criança interesse pela literatura. Estudou matemática na Universidade de Rostov, graduando-se em 1941. Na mesma época, estudou literatura num curso a distância na Universidade de Moscou.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Soljenitsyn foi convocado para servir o exército, trabalhando como motorista. Ingressou depois na artilharia, onde combateu até ser preso em 1945. As razões de sua prisão, foram observações que fez acerca de Josef Stalin, em correspondência mantida com um colega.

Por isso foi condenado a oito anos de prisão, passados em vários campos de correção. Conseguiu escapar algumas vezes do trabalho braçal, em virtude de suas habilidades como matemático. Em 1950, foi transferido para um campo de prisioneiros políticos, onde trabalhou como mineiro e pedreiro.

Terminados os oito anos de condenação, Soljenitsyn foi enviado para o Casaquistão, em exílio. Acometido por um câncer no estômago, foi enviado para tratamento na cidade de Tashkent. Depois de sua reabilitação, tornou-se professor na cidade de Riazan.

Até 1957, embora tivesse redigido muitos livros secretamente, ainda não havia publicado nenhum de seus escritos. Seu primeiro livro publicado foi "Um Dia na Vida de Ivan Denisovich", descrevendo os horrores passados num campo de concentração. O livro tornou-se famoso tanto na União Soviética quanto nos países do ocidente.

Publicou a seguir diversas obras, entre as quais "O Arquipélago Gulag" e "O Primeiro Círculo". Em 1970, Alexander Soljenitsyn recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, pelo conjunto de sua obra.

Em 1974, Soljenitsyn perdeu a cidadania soviética e foi deportado. Morou primeiro na Alemanha, depois na Suíça e finalmente nos Estados Unidos. Embora tenha sido recebido com entusiasmo no Ocidente, jamais sentiu-se à vontade afastado de sua pátria. Em 1990 teve sua cidadania restaurada e retornou, em 1994, para a Rússia, sendo recebido pelo presidente Boris Yeltsin.

Na Rússia, Alexander Sojenitsyn tornou-se uma figura conhecida e bastante popular. Continuou a criticar tanto o materialismo ocidental quanto a burocracia do regime soviético.

Soljenitsyn morreu de insuficiência cardíaca, aos 89 anos.