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Biografias


Cândido Portinari Pintor brasileiro

19 de dezembro de 1903, Brodowski, SP (Brasil)<p>6 de janeiro de 1962, Rio de Janeiro, RJ (Brasil)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

2009-05-15T18:36:00

15/05/2009 18h36

Filho de imigrantes italianos, Cândido Portinari cresceu em Brodowski, cuja paisagem é várias vezes lembrada em sua obra. Ainda menino participou da decoração da igreja local, auxiliando pintores e escultores itinerantes. Em 1918 matriculou-se no curso de pintura livre da Escola Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro, onde foi orientado por Lucílio de Albuquerque e Rodolfo Amoedo.

Aos 17 anos Portinari vendeu seu primeiro quadro, "Baile na roça". Em 1923 recebeu a medalha de bronze do Salão Nacional de Belas-Artes pelo retrato do escultor Paulo Mazuchelli. Em 1928 recebeu um prêmio de viagem pelo retrato do poeta Olegário Mariano.

Em Paris, pinta três naturezas-mortas e é influenciado sobretudo pela obra de Chagall. Viaja pela Itália, Reino Unido e Espanha, voltando ao Rio em 1930.

Em 1931, Portinari realiza uma exposição apresentando pinturas fortemente influenciadas pelo movimento muralista mexicano. Expõe retratos em que se revela sua tendência à simplificação. Com a tela "Café" conquista segunda menção honrosa na Exposição Internacional de Arte Moderna da Fundação Carnegie, em Nova York.

Em 1936 executa seu primeiro mural, para o monumento rodoviário da rodovia Rio-São Paulo. Inicia murais no Ministério da Educação (hoje Palácio da Cultura, no Rio de Janeiro), compondo painéis de azulejos para a fachada e murais nas salas do gabinete do ministro. Nesses trabalhos, enfoca os diferentes trabalhos do povo brasileiro.

No ano de 1938, o Museum of Modern Art de Nova York adquire seu quadro "O Morro", que mostra os barracos de uma favela com os edifícios do Rio moderno ao fundo, em contraste com o primeiro plano.

Temática social brasileira

Portinari cria, em 1939, três grandes painéis para o pavilhão brasileiro na exposição internacional de Nova York. Acentua-se sua preocupação com a temática social brasileira. Expõe com sucesso em Detroit e no Museum of Modern Art de Nova York. A convite do governo norte-americano, pinta afrescos na sala da Fundação Hispânica, da biblioteca do Congresso em Washington (1942).

No ano seguinte cria murais para a Rádio Tupi do Rio de Janeiro (destruídos por incêndio em 1951), abordando temas dos morros cariocas e da música afro-brasileira. Para a Rádio Difusora de São Paulo pinta uma série de temas bíblicos.

Para a igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, Portinari executa um painel de azulejos sobre a vida de São Francisco de Assis, e cenas da Via Sacra em óleo sobre madeira. Em 1946 expõe na galeria Charpentier, de Paris, merecendo elogios da crítica internacional. Expõe em Buenos Aires, Montevidéu e no Museu da Arte de São Paulo.

Temas históricos

Seus maiores murais são de 1948-1949: a "Primeira missa no Brasil" para a matriz do Banco Boavista no Rio de Janeiro, e "Tiradentes" para o Colégio de Cataguases (MG). Como pintor de temas históricos, faz uma tentativa de síntese do antigo e do moderno, recriando o passado heróico em formas geométricas amplas e luminosas.

Em 1952, depois de participar da Bienal de Veneza, pinta o painel "Chegada de D. João 6º ao Brasil", para a matriz do Banco da Bahia, em Salvador. A seguir, cria uma série de murais para a igreja de Batatais, em São Paulo, despertando críticas por apresentar um Cristo louro.

Entre 1953 e 1957 executa para a sede da ONU em Nova York, os painéis "Guerra" e "Paz". Recebe os prêmios Guggenheim e Hallmark.

Realiza suas últimas exposições individuais entre 1960 e 1961.

Influências e características

A pintura de Portinari é inicialmente acadêmica, influenciada pelo espanhol Zuloaga e pelos italianos do século 15, sobretudo Piero della Francesca. Na exposição de 1931, apresenta quadros inspirados em temas de sua infância, imortalizando os meninos de Brodowski.

Lentamente, afirma seu estilo próprio, libertando-se dos cânones convencionais. Como os muralistas mexicanos, faz de sua pintura instrumento de denúncia social. Inspirado pelas secas nordestinas, Portinari pinta obras de grande força dramática, acentuada pela distorção das figuras. Seus retirantes são esqueletos barrigudos, cada rosto uma máscara de sofrimento.

A partir de 1948, a arte de Portinari torna-se cada vez mais expressionista, começando a surgir cores violentas. Pinta retirantes, espantalhos, meninos, sorveteiros, lavradores e favelados. Suas figuras de lavradores são majestosas, de mãos e pés exageradamente fortes.

Portinari simplifica cada vez mais seu estilo. Suas pinturas sofrem, então, influência do Cubismo e de Picasso.

Como totalidade, a obra de Portinari constitui um valioso panorama da realidade brasileira.

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