Aviador norte-americano

Charles Lindbergh

04/02/1902, Detroit, EUA<br>26/08/1974, Havaí, EUA​





Autor Da Página 3 - Pedagogia & Comunicação




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    Charles Lindbergh foi laureado após realizar o vôo de Nova York a Paris sem escalas

    Charles Lindbergh foi laureado após realizar o vôo de Nova York a Paris sem escalas

O aviador Charles Lindbergh nasceu no dia 4 de fevereiro de 1902, em Detroit, Estado de Michigan, nos Estados Unidos da América, e cresceu em uma pequena cidade chamada Little Falls, no Estado de Minnesota. Era filho de Charles August Lindbergh - um imigrante sueco que atuou como advogado e foi membro do Congresso norte-americano (entre 1907 e 1917) - e de Evangeline Lodge Land Lindbergh, uma professora de ascendência inglesa, francesa e irlandesa.

Aos oito anos de idade, Lindbergh viu, pela primeira vez, um avião. O piloto era o corajoso Lincoln Beachey, conhecido por suas perigosas acrobacias aéreas. Ali nasceu o amor de Lindbergh pelos aviões. Depois de terminar a escola secundária, aos 18 anos Charles entrou para a Universidade de Wisconsin, a fim de estudar engenharia mecânica.

Um dia, ao presenciar a aterrissagem de um avião no campus da universidade, decidiu abandonar os estudos e tornar-se piloto. Inscreveu-se como aprendiz em uma companhia de aviação no Estado de Nebraska e realizou seu primeiro vôo em abril de 1922. Ali, aprendeu os elementos essenciais para a construção de um avião e começou a participar de vôos com os Barnstormers, famosos acrobatas do ar, quando aprendeu a caminhar sobre as asas dos aviões e a realizar arriscados saltos de pára-quedas.

Em 1923, fez seu primeiro vôo solitário, em um avião Curtiss Jenny, que adquiriu no Estado da Geórgia por 500 dólares. Um ano depois, alistou-se no Exército, seguindo para o curso de piloto da Reserva do Serviço Aéreo Nacional. Graduou-se em 1925 como o melhor piloto da sua classe. Após o serviço militar, foi contratado pela empresa Robertson Aircraft Corporation para fazer vôos de correio entre St. Louis e Chicago.

Secretamente, no entanto, Charles acalentava o mesmo sonho de todos os pilotos da época: ganhar os 25 mil dólares oferecidos pelo dono de um hotel de Nova York, o francês naturalizado norte-americano Raymond Orteig, para o primeiro aviador a voar de Nova York a Paris sem escalas. Em 1927, vários pilotos já haviam perdido suas vidas tentando realizar a proeza, mas Lindbergh estava certo de que poderia vencer, se tivesse o avião adequado.

Naquela época, a esmagadora maioria dos pilotos considerava os aviões monomotores muito frágeis para fazer um vôo tão longo, e todas as tentativas haviam sido feitas com aviões de dois, três ou quatro motores. Lindbergh pensava exatamente o contrário, e convenceu alguns homens de negócios de St. Louis a financiar a preparação de um avião monomotor para fazer o vôo. A Companhia Aeronáutica Ryan, de San Diego, na Califórnia, foi escolhida e construiu um modelo Ryan NYP (um Ryan M-2 modificado). Lindbergh o apelidou de "Spirit of St. Louis", em homenagem aos seus patrocinadores.

Nos dias 10 e 11 de maio de 1927, Lindbergh testou o avião, indo de San Diego a Nova York, com uma parada em St. Louis. O tempo de duração do vôo foi de 20 horas e 21 minutos - era um novo recorde transcontinental. A 20 de maio, Lindbergh e o "Spirit of St. Louis" decolaram do campo Roosevelt, em Long Island, perto de Nova York, às 7:52 da manhã. Às 10:21 da noite do dia 21, 33 horas e 32 minutos depois de ter partido dos EUA, Charles Lindbergh pousou no Campo Le Bourget, próximo a Paris. Ele tinha voado mais de 5.700 km.

O vôo foi uma verdadeira epopéia, durante a qual Lindbergh enfrentou neblina, ventos fortes, formação de gelo nas asas e, principalmente, o cansaço. Voando a 3 mil metros ou quase rascando as águas do Atlântico, ele alcançou seu objetivo. O voo de Lindbergh eletrizou as pessoas em todo o mundo. O presidente dos EUA, Calvin Coolidge, concedeu-lhe a Medalha de Honra do Congresso.

Em 1927, Lindbergh publicou um livro, "Nós", descrevendo as quase 34 horas de vôo. A seguir, percorreu os EUA, divulgando o trabalho da Fundação Daniel Guggenheim, que tinha por objetivo promover a aeronáutica. Também conheceu a pesquisa sobre foguetes realizada por Robert H. Goddard e convenceu a família Guggenheim a patrocinar suas experiências, o que viria a favorecer o desenvolvimento de mísseis, satélites e viagens espaciais. Lindbergh também trabalhou como consultor para várias empresas aeronáuticas e linhas aéreas comerciais.

Nesse mesmo ano, ao visitar o México, conheceu Anne Spencer Morrow, com quem se casou. Em março de 1932, o primeiro filho de Charles e Anne foi seqüestrado. Dez semanas depois, o corpo da criança foi encontrado em uma floresta. Para fugir do assédio dos repórteres, os Lindbergh se mudaram para a Europa. Em 1934, um tribunal condenou à morte Bruno Hauptman pelo seqüestro e assassinato do bebê Lindbergh, mas até hoje pairam dúvidas em relação ao inquérito e ao processo.

Em 1935, Lindbergh colaborou com o médico Alexis Carrel na criação de um aparelho que proporcionava um "sistema de respiração estéril" aos órgãos que fossem extraídos do corpo de animais. Entre 1935 e 1939 realizaram-se experiências com esse aparelho, denominado "Lindbergh-RIMR perfusion pump". Utilizando a invenção, Carrel conseguiu que o batimento cardíaco de alguns animais se mantivesse estável durante cerca de 12 horas. Em 1938, publicou, junto com Lindbergh, o livro "The cultura of organs". A parceria Carrel-Lindbergh foi importante para se compreender o fenômeno da regeneração, crescimento, nutrição e secreção interna dos órgãos.

Na Europa, Charles também pôde estudar a organização e o funcionamento das forças aéreas de vários países. O fato de aceitar uma condecoração alemã em 1938, bem como seus discursos em favor da neutralidade dos EUA na II Guerra Mundial e até mesmo de apoio a Hitler, valeram-lhe severas críticas, forçando Lindbergh a renunciar ao seu posto na Força Aérea. Após o bombardeamento de Pearl Harbor pelos japoneses, ele tentou voltar à Força Aérea, mas foi recusado. Trabalhou, então, como consultor da Ford Motor Company, mas em abril de 1944 tornou-se consultor do Exército e da Marinha dos Estados Unidos, voando em cerca de 50 missões de combate. Durante esse período, inventou um dispositivo que tornava os aviões de caça melhores e mais fáceis de pilotar.

Depois da guerra, Lindbergh trabalhou como consultor para o chefe do Estado-Maior da Força Aérea. Também atuou como consultor para a empresa aérea Pan American. Em 1953, publicou uma nova edição, ampliada, de seu livro "Nós", a qual chamou de "O espírito de St. Louis", ganhando com o livro o Prêmio Pulitzer de 1954. Nesse mesmo ano, o presidente Eisenhower nomeou-o general brigadeiro da Força Aérea dos Estados Unidos.

Lindbergh continuou a viajar pelo mundo. Visitou a África e as Filipinas. Durante seus últimos anos de vida, passou a interessar-se pela conservação da natureza. Faleceu no dia 26 de agosto de 1974, na sua casa em Mauí, no Hawai. Em 1957, Billy Wilder dirigiu o filme "O herói solitário" ("The Spirit of St. Louis"), sobre a vida de Lindbergh, no qual o aviador é interpretado por James Stewart. No Brasil, a Editora Cia. das Letras publicou a melhor biografia sobre o aviador norte-americano: "Lindbergh - uma biografia", de A. Scott Berg.

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