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Biografias


Edmund Burke Estadista e escritor inglês

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

22/10/2008 15h13

Filho de pai protestante e mãe católica, Edmund Burke estudou em Dublin e depois em Londres, viajando a seguir pela Inglaterra e pela França. Em 1757, fez imprimir a obra Inquérito filosófico sobre as origens de nossos conceitos do sublime e do belo, teoria estética que despertou a atenção de Diderot, Kant e Lessing.

Dois anos depois, Burke iniciou a publicação do periódico Registro anual, que durou de 1758 a 1920 - e que foi editado por Burke até 1791.

Em 1765, Burke ingressou na Câmara dos Comuns, tornando-se, com o tempo, um dos mais destacados membros do partido whig, de linha liberal, e exercendo notável influência na vida pública de sua época.

Na área da política colonial, reivindicou para a América uma legislação mais compreensiva, buscando sanar uma crise que se agravava com a crescente rigidez das diretrizes governamentais, e criticou a administração inglesa na Índia, o que levou o administrador da época, Hastings, a responder um inquérito perante o parlamento que se estendeu durante vários anos.

Sua participação na política interna inglesa foi igualmente relevante. Defendeu a restrição dos poderes reais e introduziu novos conceitos constitucionais referentes aos partidos e seus respectivos membros.

O dom inato da palavra transformou Edmund Burke em um dos maiores oradores da história de seu país. Ele destilava sua veemência em uma linguagem de clássico equilíbrio, qualidade que pode ser verificada, de maneira especial, nos discursos "Sobre a tributação norte-americana" (1770), quando formulou sua famosa definição de partido, "corpo de homens ligados por interesse público, que pode funcionar como elo entre rei e parlamento", ao apoiar e moderar, ao mesmo tempo, a ação do governante.

Esse mesmo espírito de interação política levará Burke a dizer que entende o parlamentar como representante dos interesses da comunidade - e não um simples delegado de seus desejos particulares.
 

Conservadorismo

Sua principal expressão como teórico político é a crítica que formulou à ideologia da Revolução Francesa, manifesta em Reflexões sobre a revolução na França e sobre o comportamento de certas comunidades em Londres relativo a esse acontecimento, de 1790.

Traduzida para várias línguas, essa obra se tornou o modelo das atitudes contra-revolucionárias na Inglaterra e outros países da Europa. Nela, Burke ressalta o conceito de direito natural, que atribui à vida física e espiritual do homem grande autonomia dentro da estrutura maior da sociedade, desde que não fira a harmonia geral desta.

Nessa obra, Burke situa-se em uma posição aristotélico-tomista, que busca iluminar o geral com o particular, fazendo do real o racional, e do abstrato generalizador das idéias especulativas uma ameaça aos valores penosamente adquiridos pela civilização através dos séculos.

Essas idéias transformaram Edmund Burke em um teórico do conservadorismo, que postulava o crescimento orgânico das sociedades, ao invés das reformas violentas. Suas reflexões sobre a ideologia revolucionária não só orientaram de maneira decisiva a opinião pública da Inglaterra contra a reestruturação política francesa, como passaram a constituir, para o homem inglês, o senso comum da validade do status e da hierarquia.

O pensamento de Burke exerceu sensível influência sobre José da Silva Lisboa, visconde de Cairu (1756-1835), figura marcante da vida política brasileira, que, em 1812, publicou uma tradução dos escritos do estadista inglês sob o título de Extratos das obras políticas e econômicas de Edmund Burke.
 

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