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Ernesto Nazareth Pianista fluminense

20/03/1863, Rio de Janeiro (RJ)

04/02/1934, Rio de Janeiro (RJ)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

21/08/2005 12h24

Desde menino, Ernesto Júlio Nazareth conviveu com a música nos saraus familiares. Com a mãe, Dona Carolina, aprendeu no piano os primeiros acordes de Chopin, Mozart e Beethoven, além das polcas, valsas e modinhas.

Após a morte da mãe, em 1873, ele passou a ser educado pelo pai, Vasco Lourenço da Silva Nazareth, que trabalhava como funcionário na Alfândega. Lourenço contratou Eduardo Madeira, um jovem pianista, para dar continuidade à educação musical do filho.

Aos 14 anos, Ernesto compôs sua primeira música, a polca "Você Bem Sabe", editada pela Casa Arthur Napoleão. Aos 17 anos, participou de um recital ao lado de vários músicos famosos, como o flautista Viriato Figueira da Silva. Compôs "Gentes! O imposto pegou?" e "Gracieta". Em 1878, compôs a valsa "O Nome Dela" e o tango "Cruz, Perigo!" .

Participando das rodas de choro, respondeu à polca do chorão Viriato, compondo "Não Caio Noutra". Em 1886, Ernesto Nazareth fez sua primeira apresentação em público no Club Rossini, em São Cristóvão. Na época, a polca, pelo seu aspecto brejeiro e alegre, fazia sucesso. Ernesto Nazareth dava a seus tangos um andamento de polca ou maxixe, recebendo por isso a denominação de "tango brasileiro".

Nazareth trabalhou como pianista da sala de espera do cinema Odeon, para o qual compôs o tango "Odeon", uma de suas peças mais célebres, que ganhou uma transcrição para violão. Por volta de 1920, Nazareth foi trabalhar na Casa Carlos Gomes. A função do pianista era executar músicas para que fossem vendidas as partituras (entre elas, as próprias composições de Nazareth).

Segundo os biógrafos, ele era muito exigente com as pessoas que executavam suas músicas, e freqüentemente mandava parar a execução antes do final. Ernesto Nazareth se apresentou em diversas cidades do Brasil com êxito, mas no final da década de 1920 já começava a dar sinais da surdez que se intensificou no fim de sua vida.

Os abalos que sofreu com as mortes de sua filha e da esposa contribuíram para a deterioração de seu estado mental, sendo internado em 1933. No dia 1º de fevereiro de 1934, Nazareth se perdeu nas matas de Jacarepaguá. Três dias depois, foi encontrado morto próximo à Cachoeira dos Ciganos.

Uma das primeiras composições que classifica como "choro" é a famosa "Apanhei-te Cavaquinho". Suas peças mais conhecidas são "Brejeiro", "Ameno Resedá", "Bambino", "Dengoso", "Travesso", "Fon Fon" e "Tenebroso".