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Biografias


Friedrich Schelling Filósofo alemão

21 de janeiro de 1775, Leonberg, Württemberg (Alemanha)

20 de agosto de 1854, Ragaz (Suíça)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

2008-10-24T20:36:00

24/10/2008 20h36

Friedrich Wilhelm Joseph Schelling ingressou, aos 16 anos, no seminário protestante de Tübingen, onde foi condiscípulo e amigo de Hölderlin e Hegel. Em Leipzig, estudou matemática e ciências naturais, e em Jena freqüentou os cursos de filosofia de Fichte.

Aos 23 anos, por interferência de Goethe, foi nomeado professor da Universidade de Jena, na qual estabeleceu íntimo contato com os românticos, os irmãos Schlegel (August Wilhelm e Friedrich), Tieck e Novalis.

Em 1803, casou-se com Carolina Schlegel, divorciada de August Wilhelm Schlegel. Nesse mesmo ano transferiu-se para a Universidade de Würzburg, onde permaneceu até 1806.

De Würzburg foi para Munique, onde conhece a obra do místico Jacob Böhme. Em 1820, passou a ensinar em Erlangen e, em 1827, retornou à Universidade de Munique, onde lecionou até 1841, ano em que foi chamado para suceder Hegel na cadeira de filosofia da Universidade de Berlim, onde liderou a luta contra o hegelianismo. Em 1847, deixou de lecionar, falecendo sete anos depois.

Natureza autônoma

Schelling procede de Kant e de Fichte. O monismo fichteano, reduzindo tudo ao Eu, na realidade era um dualismo, do Eu e do não-Eu, dualismo que suscita o problema da liberdade e da natureza.

Em sua primeira filosofia, Schelling, utilizando as descobertas científicas de seu tempo, restabelece a objetividade da natureza, concebendo-a como uma realidade que se basta e se explica a si mesma, dotada de vida própria, criadora e autônoma. A natureza é o "espírito adormecido" que emerge, ao longo da evolução, até tomar consciência de si mesmo no homem.

Metafísica teísta

Concebendo a natureza como totalidade viva, ou manifestação exterior da razão em sua totalidade, que se desenvolve por força de sua dialética interna, Schelling supera o ponto de vista do entendimento de Kant e de Fichte, e chega ao ponto de vista da razão, que resolve a contradição da natureza e do espírito, do finito e do infinito, do objeto e do sujeito. Schelling, porém, concebe essa razão de modo místico: é Deus quem cria as coisas ao pensá-las.

Em sua última filosofia, Schelling retorna, inclusive, à religião cristã positiva e, em seus trabalhos sobre a mitologia, elabora uma metafísica teísta, fundada na liberdade humana. Exerceu, com isso, influência sobre os precursores do existencialismo.

Estética e idealismo

Schelling é uma das figuras representativas do romantismo alemão, revelando, em sua obra, um senso vivo de beleza e de arte. Sua concepção a respeito do absoluto, unidade da natureza e do espírito, que se revela na história, na arte e na religião, exerceu profunda influência na estética, especialmente na estética hegeliana.

A filosofia de Schelling constitui um elo importante na passagem do idealismo religioso de Kant e de Fichte para o idealismo objetivo de Hegel. Todavia, embora sustente a possibilidade de conhecimento do absoluto, Schelling não mostra o caminho desse conhecimento e sua intuição intelectual, à maneira do gênio criador, permanece o privilégio de iniciados e eleitos.

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