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Gaston Bachelard Filósofo francês

27 de junho de 1884, Bar-sur-Aube (França)

16 de outubro de 1962, Paris (França)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

20/04/2009 19h35

De origem humilde, Gaston Bachelard formou-se tarde, tornando-se professor de física em sua cidade natal. De 1930 em diante, ensinou na Universidade de Dijon. Publicara, dois anos antes, seu primeiro livro, Ensaio sobre o conhecimento aproximado.

A partir de 1940, Bachelard lecionou na Sorbonne, de onde só se afastou em 1954. Ingressou na Academia das Ciências Morais e Políticas em 1955 e recebeu, em 1961, o Prêmio Nacional das Letras.
 

"Novo espírito científico"

Um dos filósofos de maior influência no mundo contemporâneo, Bachelard tem como ponto de partida de suas idéias uma filosofia das ciências naturais, especialmente da física. Originam-se nesse campo suas contribuições à epistemologia e à poética, para cuja interpretação também se vale dos recursos metodológicos da psicanálise.

Contrário às posições do substancialismo, chama a atenção para a complexidade das teorias científicas, que reflete antes de tudo a própria complexidade do real, obrigando o filósofo da ciência a refutar as simplificações dos racionalistas.

Em sua obra principal, O novo espírito científico, observa que este, ao mesmo tempo em que escapa à preponderância da imagem - característica na Antiguidade e na Idade Média -, também escapa à preponderância do esquema geométrico, peculiar aos tempos modernos: o "novo espírito científico" tende então para o concreto, não porque se abandone ao irracional, mas porque tenta ampliar o alcance da razão.

Invertendo uma proposição kantiana, Bachelard vê o futuro da razão como um produto do trabalho teórico dos homens. O verdadeiro, categoria central da ciência, é, assim, através das mudanças e revoluções científicas, um produto que foge ao domínio de seus produtores, impondo-lhes a consciência de que o maior obstáculo para a definição de uma verdade nova é aquilo que descobriram antes e registraram.
 

O papel do filósofo

Dando à ciência um conteúdo exclusivamente metódico, filósofo não é, para Bachelard, aquele que estabelece a relação do discurso com as coisas, mas aquele que aclara a relação do homem com o seu saber.

Bachelard destaca ainda o papel unificador da imaginação para o saber e a poesia, o trabalho e o sonho, e o caráter essencial da linguagem, como suporte objetivo da subjetividade, para a apreensão e análise das contradições humanas.

Ante a extensão presente dos conhecimentos, Bachelard propõe o aproximativismo e o probabilismo. Mas também são importantes, para ele, seus estudos de interpretação psicológico-literária dos elementos fundamentais: a terra, a água, o fogo e o ar.
 

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