Filósofo inglês

George Berkeley

12 de março de 1685, Kilkenny (Irlanda)<p>14 de janeiro de 1753, Oxford (Inglaterra)​





Autor Da Página 3 Pedagogia & Comunicação




  • Domínio público

George Berkeley nasceu a 12 de março de 1685 no condado de Kilkenny, Irlanda, e morreu em Oxford, a 14 de janeiro de 1753. Com 15 anos, ingressou no Trinity College da Universidade de Dublin, onde permaneceu depois de formado, na qualidade de professor, até 1713. Em 1709 recebeu ordens sacerdotais. Em 1734 foi nomeado bispo anglicano da diocese de Cloyne, na Irlanda.

Praticamente toda a doutrina de Berkeley está esboçada no seu Livro do lugar comum, espécie de diário escrito entre 1705 e 1708. Mas ele deixou várias outras obras, como Um ensaio para uma nova teoria da visão, de 1709; Tratado sobre os princípios do conhecimento humano, de 1710; Alciphron, ou o filósofo das minúcias, de 1732; e Siris, de 1744.

Visão e tato

Em Um ensaio para uma nova teoria da visão Berkeley procurou demonstrar a natureza da percepção visual da distância, da grandeza e da posição dos objetos. A tese central é a de que a apreensão perceptiva dessas qualidades não pertence originariamente à visão, mas ao tato. O fato de percebermos visualmente os objetos seria consequência de uma associação progressivamente fixada entre certas sensações visuais ou, pelo menos, certas sensações musculares correspondentes aos movimentos oculares e às ideias de distância, grandeza e posição, proporcionadas pelo tato.

Para Berkeley, à visão corresponde apenas a percepção da luz e das cores. Visualmente, as ideias de distância, grandeza e posição seriam provocadas pelos próprios movimentos oculares, que funcionariam como sinais - e seriam não distâncias ou grandezas, mas somente sinais que apreenderíamos pela visão.

Teoria imaterialista

Berkeley também negou enfaticamente a possibilidade de existirem ideias abstratas. Nossas ideias seriam, assim, sempre relativas a objetos particulares. A única generalidade que se poderia revelar nelas seria a de sua significação: a ideia que temos sobre, por exemplo, certo triângulo, poderia, com efeito, servir para representar qualquer triângulo.

No fundo, Berkeley não contesta a existência de ideias gerais, desde que não se considere a generalidade como atributo da própria ideia e apenas se veja nela um sistema de relações com outras ideias do mesmo gênero. O que parece inadmissível a Berkeley é a existência de ideias gerais e abstratas no sentido de ideias de conteúdo indeterminado.

Esses princípios formam a base da teoria imaterialista de Berkeley. Não que ele tenha negado a existência dos objetos. De fato, eles existem. Mas, segundo Berkeley, apenas na condição de objetos percebidos. "Ser é ser percebido" é uma das fórmulas doutrinárias do filósofo. A existência, concebida como substancial, Berkeley a garante apenas para o espírito.

A mente e Deus

No que se refere a Deus, o senso comum acredita que todas as coisas são conhecidas ou percebidas por Ele exatamente pelo fato de se crer na Sua existência. Berkeley, contudo, inverte essa lógica: ele conclui a existência de Deus pelo fato de que as coisas sensíveis devem ser percebidas por Ele, pois sem essa apreensão perceptual elas se dissolveriam e se aniquilariam.

A teoria de Berkeley é de que não poderia existir um mundo sensível sem um espírito ativo - e que, já que o mundo sensível não procede do espírito dos homens, é preciso, sem dúvida, que proceda de Deus. Para o filósofo, só conhecemos ideias. E, além das ideias, só existe a mente que as percebe e Deus, que faz com que a mente possa percebê-las. Para Berkeley, afirmar que existe um mundo material é cair nas falácias da abstração, ou seja, é considerar o "ser" das coisas como independente do "ser percebidas".

Para o filósofo Arthur Schopenhauer, Berkeley é o pai do idealismo, pois foi o primeiro a tratar o ponto de vista subjetivo de maneira séria e a demonstrar sua absoluta necessidade.

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