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Georges de La Tour Pintor francês

13 de março de 1593, Vic-sur-Seille (França)

30 de janeiro de 1652, Lunéville (França)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

26/09/2008 15h06

Segundo dos sete filhos de um pedreiro e de uma dona de casa filha de padeiros, pouco se sabe sobre a vida de Georges de La Tour. Acredita-se que tenha viajado pela Itália e pelos Países Baixos, pois há uma nítida influência do tenebrismo em sua obra. (O tenebrismo é uma tendência pictórica européia do século 17, que opõe com forte contraste luz e sombra.) Outros pesquisadores, contudo, afirmam que ele poderia ter conhecido esse estilo apenas graças à circulação de obras e artistas pela Europa.

Vic-sur-Seille, o lugarejo onde La Tour nasceu, pertencia ao ducado de Lorena, que vivia em guerra com a França, pois a região era disputada por esse país e pela Áustria. Entre 1631 e 1635, inclusive, a região sofreu os efeitos da Guerra dos Trinta Anos: tumultos, epidemias, rebeliões, etc.

La Tour optou pelo lado francês e, entre 1638 e 1642, vive em Paris, sendo que, em 1639, é mencionado como "pintor do rei". Luís 13 teria uma pintura de La Tour em seu quarto: "São Sebastião numa noite". Quadro tão apreciado pelo soberano, que este mandou que retirassem dali todas as outras pinturas.

Embora desfrutando de renome quando vivo, La Tour cai depois em completo esquecimento, durante mais de dois séculos. Seus quadros chegaram a ser atribuídos a Caravaggio. Somente em 1915, graças às pesquisas do historiador alemão Hermann Voss, se consegue verificar definitivamente a identidade de La Tour.

Mais que a influência de Caravaggio, os estudiosos assinalam a proximidade que o estilo de La Tour guarda em relação ao pintor flamenco Gerard van Honthorst, que viveu em Utrecht entre 1590 e 1656.
 

Cenas diurnas e noturnas

Apenas dois de seus quadros estão datados e cerca de uma dúzia está assinada. Em sua maioria, apresentam cenas noturnas, embora exista um pequeno número de quadros de surpreendente luminosidade diurna. Têm um tratamento pessoal quanto à expressão e à forma, sendo que esta última, freqüentemente muito simplificada, chega a dar uma aparência moderna ao seu estilo.

As primeiras telas de La Tour são cenas diurnas e profanas. Dentre elas, destaca-se "A quiromante", assinada no canto superior esquerdo. Além dos rostos iluminados por uma luz não aparente, os traços fisionômicos, as formas angulosas, os dedos longos e a concentração dos personagens, dispostos em uma composição rigorosamente simétrica, são as marcas do seu estilo. Outras telas importantes da fase diurna são "O tocador de realejo" e duas pinturas denominadas "São Jerônimo".

"A mulher com a pulga" é um dos primeiros exemplos conhecidos da fase de estilo noturno de La Tour. Acredita-se que, depois de 1640, ele tenha se dedicado exclusivamente às cenas noturnas, hoje consideradas as melhores, feitas com a utilização de uma paleta quase monocromática. Nessa fase há uma predominância de temas religiosos e os melhores quadros são: "São Francisco", "A adoração dos pastores", "São José carpinteiro" e "São Sebastião e santa Irene".

No final da vida, o pintor muda-se para Lunéville, também na Lorena, onde ele e a esposa virão a falecer, em 1652, vítimas de uma epidemia de peste. La Tour foi um dos melhores representantes do barroco francês, levando ao extremo a técnica do claro-escuro.
 

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