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Giuseppe Ungaretti Poeta italiano

10/02/1888, Alexandria, Egito

1/6/1970, Milão, Itália

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

13/08/2005 14h51

Entre outros livros, Giuseppe Ungaretti publicou "Alegria do Naufrágio" (1919), "A Alegria" (1931), "Sentimento do Tempo"(1933) e "A Dor" (1947). Influenciado inicialmente pelo simbolismo francês, sobretudo por Baudelaire e Mallarmé, incorporou os procedimentos da vanguarda futurista, tornando-se um dos principais nomes da poesia moderna. No Brasil, foi traduzido por Haroldo de Campos e Aurora Bernardini.

Giuseppe Ungaretti afirmou que a verdadeira missão do homem na Terra não era a felicidade, mas sim a grandeza, que seria conquistada a muito custo. O próprio Ungaretti agiu assim, passando por momentos trágicos e transformando-os em poemas que, além de comoverem pela emoção, provocam no leitor uma atitude de reflexão.

Nascido em 1888 em Alexandria, Egito, e filho de italianos, Ungaretti passou a adolescência na França onde teve contatos com a vanguarda simbolista. No Brasil, foi professor de Literatura Italiana na Universidade de São Paulo entre 1937 e 1942. Apreendeu com seus predecessores, Vico, Pascal e Mallarmé... Contudo, foi com Petrarca e Leopardi que ele realmente se identificou.

Para Ungaretti, a poesia não é apenas uma mera fruição estética; é, antes de tudo, uma expiação da alma, uma purificação que serve como meio de educar moralmente o homem para enfrentar o naufrágio sem fim da condição humana. Ungaretti se empenhou na sua luta, mesmo marcado com a triste sina de "uomo di pena".

Em "A Alegria", fruto de suas experiências como soldado do exército italiano na Primeira Guerra Mundial, a memória, o exílio e a linguagem poética são os eixos condutores de uma viagem que surpreende o leitor no momento em que, ao virar a última página, descobrirá ter evoluído como ser humano. Esta foi a real intenção de Ungaretti ao escrever as poesias de "A Alegria".

Somente a poesia tem o poder de guardar a memória de um pobre exilado, de não deixá-lo cair no esquecimento - e esta é a responsabilidade moral do próprio poeta, ao saber que talvez seja o único que conhecia a sua existência. Mas a responsabilidade não se estende apenas a um único indivíduo - dilata-se para toda uma época de atrocidades.

Ungaretti continuou a carregar o peso do mundo nas suas costas nos livros seguintes, como "Sentimento do Tempo" (1932-1937) e "A Dor" (1942-1945). Em ambas as obras, o poeta relaciona os seus tormentos pessoais (respectivamente, a busca desesperada pela transcendência e a morte prematura de seu filho Antonietto, ocorrida durante a sua passagem pelo Brasil) com os tormentos do mundo (como o sentimento de vazio que cobre Roma e a eclosão da Segunda Guerra Mundial).

Mas Ungaretti nunca se agarra às sombras, nunca espera pela noite como a única maneira de suportar a crua realidade. Ele procura, antes de tudo, a luz por trás de cada palavra, o segredo que o levará em um contato com o Absoluto, mesmo tendo a consciência de que "em parte/ alguma/ me sinto/ em casa".