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Hélio Jaguaribe Cientista político brasileiro

1923, Rio de Janeiro (RJ)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

09/08/2005 16h49

Hélio Jaguaribe de Matos formou-se em direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro em 1946. Três anos depois, tornou-se responsável pelo suplemento cultural semanal do Jornal do Comércio.

Em meados da década de 1950, iniciou um projeto de expansão da Companhia Ferro e Aço de Vitória, de sua família. A nova usina da Ferro e Aço foi concluída em 1961 e Jaguaribe dirigiu esse empreendimento até 1964, quando renunciou à presidência da empresa.

Em 1952, passou a se reunir com um grupo de intelectuais paulistas e cariocas no Parque Nacional de Itatiaia (RJ), com a finalidade de estudar os problemas que a sociedade enfrentava. Em 1953, os cariocas do grupo de Itatiaia fundaram o Instituto Brasileiro de Economia e Sociologia e Política (Ibesp), do qual Jaguaribe foi secretário-geral. O Ibesp publicou a revista Cadernos de Nosso Tempo, entre 1953 e 1956, que reunia ensaios sociais e econômicos.

Os integrantes do Ibesp decidiram, em 1955, criar um órgão por meio do qual pudessem influenciar nas decisões do poder relativas à orientação do desenvolvimento. Por decreto do governo de Café Filho, foi criado o Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), um dos núcleos mais importantes de elaboração da ideologia que ficou conhecida como nacional-desenvolvimentismo.

No fim de 1958, Jaguaribe publicou "O nacionalismo na Atualidade Brasileira", desencadeando uma crise interna no Iseb por criticar o radicalismo de posições que transformavam o nacionalismo em um símbolo contra a participação de capitais estrangeiros no processo de desenvolvimento.

O então Ministro da Educação, Clóvis Salgado, decidiu reunir o Conselho Curador e Consultivo para deliberar sobre a finalidade do Iseb. Apesar do resultado ter sido favorável à Jaguaribe, Roland Corbisier recorreu ao Presidente Juscelino Kubitschek e ao Ministro da Educação, conseguindo reformular a estrutura do Instituto, aumentando o poder do diretor sem que ficasse submisso ao Conselho Curador. Em 1959, exonerou-se, por discordar dessas mudanças.

Com o golpe militar de 1964, Jaguaribe afastou-se do país, depois de ter condenado a derrubada de João Goulart. De 1964 a 1966, lecionou na Universidade de Harvard; de 1966 a 1967, na Universidade de Stanford; e de 1968 a 1969, no Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Ao retornar ao Brasil, em 1969, ingressou nas Faculdades Integradas Cândido Mendes, onde foi diretor de Assuntos Internacionais. Com a fundação do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (Iepes), em 1979, foi designado decano.

Em 1983, a Universidade Johannes Gutenberg, de Mainz, Alemanha, conferiu-lhe o grau de doutor honoris causa em filosofia, por sua contribuição às ciências sociais e aos estudos latino-americanos.

Jaguaribe coordenou o projeto Brasil 2000, em 1985, encomendado pelo governo José Sarney. Os resultados foram publicados em 1986 com o título "Brasil 2000: para um novo pacto social". A segunda parte do projeto, "Brasil: reforma ou caos", foi lançada dois anos depois.
Em 1988, participou da formação do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

Em 1992, renunciou aos cargos partidários para ser Secretário da Ciência e Tecnologia do governo Fernando Collor de Mello, deixando o cargo quando foi aprovado o impeachment do presidente, para dedicar-se exclusivamente à vida acadêmica.

A partir de 1994, passou a dirigir um projeto de pesquisa e análise da história universal ("A Critical Study of History"), que ligou o Iepes à Universidade de São Paulo e à Universidade de Buenos Aires, reunindo cientistas sociais e historiadores do mundo todo.
Hélio Jaguaribe casou-se com Maria Lúcia Charnaux com quem teve cinco filhos.