Jurista e político brasileiro

Hermes Lima

22 de dezembro de 1902, Livramento do Brumado, BA (Brasil)<br> 1º de outubro de 1978, Rio de Janeiro, RJ (Brasil)​





Autor Da Página 3 Pedagogia & Comunicação




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    Hermes Lima foi ministro do Supremo Tribunal Federal até ser cassado pelo AI5, em 1969

    Hermes Lima foi ministro do Supremo Tribunal Federal até ser cassado pelo AI5, em 1969

Jurista, político, professor, ensaísta, jornalista e memorialista, Hermes Lima fez os estudos secundários em Salvador (BA). A partir de 1920 exerceu o jornalismo, iniciando como redator de O Imparcial e do Diário da Bahia. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Bahia, tornou-se professor de sociologia no Ginásio da Bahia e, pouco tempo depois, de Direito Constitucional (na faculdade onde se diplomou).

Em 1924, foi eleito deputado estadual. Mais tarde, transferiu-se para São Paulo, onde se tornou livre-docente de direito constitucional da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Foi redator do Correio Paulistano, da Folha da Manhã e da Folha da Noite. Também ensinou sociologia no Instituto de Educação Caetano de Campos.

Instalando-se no Rio de Janeiro, tornou-se catedrático, por concurso, da cadeira de Introdução à Ciência do Direito da Faculdade de Direito da Universidade do Distrito Federal. Em 1935 assumiu o cargo de diretor dessa faculdade. Ao mesmo tempo, colaborava nos jornais Diário de Notícias e A Manhã, porta-voz da Aliança Nacional Libertadora (ANL), organização ligada ao Partido Comunista Brasileiro.

Em novembro de 1935, a ANL deflagrou um movimento armado em Natal, Recife e Rio de Janeiro, logo sufocado pelas forças governistas. Na onda repressiva que se seguiu à insurreição, Hermes Lima foi afastado da Faculdade de Direito, tendo permanecido preso durante 13 meses. Ao deixar a prisão foi trabalhar na revista Vamos Ler, assinando artigos com pseudônimos.

Pouco antes da decretação do Estado Novo, Hermes Lima viajou para o interior da Bahia, onde viviam seus pais. Passado o período de repressão mais forte, retornou ao Rio, onde passou a trabalhar no jornal Correio da Manhã. Entretanto, como seus artigos eram sistematicamente censurados, deixou o jornal e começou a advogar.

Em 1945, com a desagregação da ditadura varguista, Hermes Lima participou da fundação da União Democrática Nacional (UDN) e da Esquerda Democrática (ED), tendo sido eleito deputado à Assembléia Nacional Constituinte por essa legenda. Em 1947, participou da fundação do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Em 1950, candidatou-se, na legenda socialista, à Câmara Federal pelo Distrito Federal, conseguindo apenas uma suplência. Em 1953, ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Diretor da Faculdade de Direito da Universidade do Brasil entre 1957 e 1959, Hermes Lima representou o Brasil em diversos eventos internacionais.
 

Primeiro-ministro

Durante a crise desencadeada pela renúncia de Jânio Quadros, os ministros militares tentaram impedir a posse do vice-presidente João Goulart. Naquele período, a adoção do parlamentarismo surgiu como solução negociada para garantir a posse de Jango. Assim, Tancredo Neves foi nomeado primeiro-ministro e Hermes Lima foi convidado para chefiar o Gabinete Civil.

Em julho de 1962, quando Brochado da Rocha assumiu a chefia do gabinete, Hermes Lima tornou-se ministro do Trabalho. Poucos meses depois, em setembro, após a renúncia de Brochado, Goulart nomeou Hermes Lima para o cargo de primeiro-ministro, cargo que acumulou com o de titular da pasta das Relações Exteriores.

Após o plebiscito de janeiro de 1963, que decidiu pela volta do regime presidencialista, Hermes Lima foi mantido como ministro das Relações Exteriores, tornando-se, logo depois, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 1969, perderia sua cadeira no STF, aposentado pelo Ato Institucional nº 5.

Membro da Academia Brasileira de Letras, Hermes Lima deixou as seguintes obras: Introdução à ciência do Direito (1933), Problemas do nosso tempo (1935), Tobias Barreto, a época e o homem (1939), Notas à vida brasileira (1945), Variações críticas sobre o nacionalismo (1958), Travessia (memórias, 1974), Anísio Teixeira, estadista da educação (1978), dentre outras.
 

Enciclopédia Mirador Internacional; Academia Brasileira de Letras; Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930 (Editora da Fundação Getúlio Vargas)

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