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Biografias


Jean Cocteau Escritor e cineasta francês

5/7/1889, Maisons Laffite (região de Paris)

11/10/1963, Molly-la-Fôret (região de Paris)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

2008-07-11T21:32:00

11/07/2008 21h32

Jean Maurice Eugène Cocteau foi um artista multitalentoso e multifacetado que alcançou êxito em todas as áreas em que atuou. Foi, especialmente, poeta mas também dramaturgo, diretor de teatro, pintor, ator, escultor e cineasta.

Além dessas atividades, Cocteau se enveredou também pela música e escreveu libretos para obras de Stravinski, Darius Milhaud, Eric Satie, além de cenários para balé e teatro.

Nascido numa família da alta burguesia francesa, filho de Georges Cocteau, advogado e pintor amador, fez seus primeiros estudos no Liceu Condorcet em Paris. Aos nove anos de idade ficou órfão de pai, que se suicidou.

Aos quinze anos saiu de casa, e aos 16 anos, começou a publicar poesias, atividade que exercia desde menino e que não abandonaria durante a vida toda.

Durante a Primeira Guerra Mundial serviu na Cruz Vermelha como motorista de ambulância.

Tornou-se amigo de Pablo Picasso, Modigliani e Apollinaire e se aproximou do grupo surrealista, vindo a ser um expoente ativo desse grupo. Mas suas relações de amizade e colaborações incluíam artistas de todas as áreas, como Eric Satie, Jean Anouilh, Jean Marais, Henri Bernstein e Édith Piaf.

Em 1919, publicou o seu primeiro livro, O Potomac, seguidos de Le Grand Écart (1923), Orfeu (1927), Os Filhos Terríveis (1929), A Voz Humana (1930), A Máquina Infernal (1934), Os Pais Terríveis (1938) e Baco (1951), entre romances, peças de teatro e poesia.
 

A contribuição ao cinema

Em 1930 escreveu e dirigiu O Sangue de um Poeta (Le Sang d'un Poete) que revelou um talentoso cineasta, obra que se tornaria representante máxima da corrente poética e surrealista no cinema e que reflete, de forma enigmática e metafórica, sobre o mundo interior de um poeta, seus medos, obsessões, a preocupação com a morte e as dificuldades da criação artística.

A contribuição de Cocteau ao cinema, que começou em 1925, inclui ainda Jean Cocteau fait du cinema (1925), La Belle et la Bête, (1946), L'Aigle à Deux Têtes, (1948), Les Parents Terribles, (1948), Les Enfants Terribles, (1950, não creditado), Coriolan (1950), Orphée (1950), La Villa Santo-Sospir, (1952), 8 x 8: A Chess Sonata in 8 Movements (1957) e Le Testament d'Orphée, ou ne me demandez pas pourquoi! (1960).

Também escreveu roteiros para outros cineastas como: La Comédie de Bonheur (1940), para Marcel L'Herbier; L'Éternel Retour (1943), para Jean Delannoy; Ruy Blas (1948), para Pierre Billon; Les Enfants Terribles (1949), para Jean-Pierre Melville; La Corona negra (1951), para Luis Saslavsky e La Princesse de Clèves (1960), para Jean Delannoy.

Em 1955 tornou-se membro da Academia Francesa.

O que não era permitido na sua época só veio a público na década de 70: a sua ligação homossexual com o ator Jean Marais e o romancista Raymond Radiguet (autor de Le Diable au Corps).

Faleceu em 1963, aos 74 anos, de problemas cardíacos.
 

Frasista afiado

São famosos os seus pensamentos e aforismas sempre carregados de profundo senso de humor e verdade, onde se destacam:
 

  • Não sabendo que era impossível, foi lá e fez.
  • Se eu prefiro os gatos aos cães é porque não existem gatos policiais.
  • Para o poeta a maior tragédia é se o admiram porque não o entendem.
  • O poeta lembra-se do futuro.
  • Nada existe de audacioso sem a desobediência às regras.
  • A ciência serve apenas para se verificarem as descobertas do instinto.
  • O limite extremo da sensatez é o que o público batiza de loucura.
  • Um belo livro é aquele que semeia em redor os pontos de interrogação.
  • A beleza age mesmo sobre aqueles que não a constatam.
  • A poesia é uma religião sem esperança.
  • Um artista não pode esperar qualquer ajuda dos seus pares.
  • A arte existe no instante em que o artista se afasta da natureza.
  • A juventude é uma conquista da maturidade.
  • Os jovens adoram desobedecer. Mas, atualmente, não há mais ninguém para lhes dar ordens.
    (AAR)

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