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Kim Jong-il Ditador norte-coreano

16 de fevereiro de 1942, Monte Paektu (Coreia do Norte)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

06/06/2009 15h18

Kim Jong-il governa a Coreia do Norte desde 1994. Preside também a Comissão de Defesa Nacional. É o sucessor de seu pai, o ditador Kim Il-sung, que governou o país a partir de 1948.

Segundo fontes ocidentais e sul-coreanas, o verdadeiro nome de Kim Jong-il é Yuri Irsenovich Kim. Ele teria nascido no povoado de Viatskoe (ou Viatsk), um acampamento militar siberiano perto de Javárovsk, na Rússia (na época, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS). Ali, seu pai era o líder dos exilados coreanos comunistas.

As mesmas fontes afirmam que Kim Jong-il nasceu em 16 de fevereiro de 1941, mas sua biografia oficial fornece a data de 16 de fevereiro de 1942, salientando que o ditador nasceu no monte Paektu, na Coreia do Norte. Ainda segundo os biógrafos do regime, a vinda ao mundo de Kim Jong-il foi acompanhada de sinais de bom agouro, como a aparição de um duplo arco-íris no céu.

Kim Jong-il recebeu a maior parte de sua educação na China, para onde foi levado, por razões de segurança, durante a Guerra da Coreia. De volta a seu país, teria estudado ciências políticas e econômicas. Depois de sua graduação, em 1964, Kim começou a lenta ascensão nas fileiras do Partido Comunista Norte-Coreano, primeiro no Departamento de Organização, depois como membro do Politburo e, em seguida, designado para o cargo de diretor adjunto do Departamento de Agitação e Propaganda.

Em 1973, Kim foi nomeado secretário de organização e propaganda do Partido Comunista. E, em 1974, foi escolhido, oficialmente, como sucessor de seu pai. Durante os anos seguintes, exerceu o cargo de ministro da Cultura e chefe de operações do partido contra a Coreia do Sul.

Em 1980, o controle de Kim Jong-il sobre o partido era total. Nessa época, ele passa a ser conhecido como "Estimado Líder", configurando-se o primeiro passo na construção do culto à personalidade que já era praticado em relação a seu pai. Em 1991, Kim é nomeado comandante supremo da Forças Armadas Norte-Coreanas.

Quando seu pai faleceu, em 1994, aos 82 anos, Kim foi eleito pelo parlamento como chefe de Estado, secretário geral do partido e presidente da Comissão de Defesa Nacional.
 

Irascível e ciclotímico

Os detalhes sobre sua vida privada são raros, e em muitos casos pouco confiáveis. Alguns foram contados por antigos altos membros do partido que fugiram do país e antigos cozinheiros a seu serviço. Outros rumores parecem ter sido difundidos pelo serviço de espionagem sul-coreano. De qualquer forma, Kim parece ter uma personalidade irascível e ciclotímica. Segundo algumas fontes, ele teria quatro filhos, mas há quem afirme que não tem nenhum. E o mesmo ocorre em relação ao número de esposas, que oscila de nenhuma a várias.

Kim é um autor prolífico, com mais de 40 livros publicados, nos quais desenvolve a doutrina Juche (ou doutrina da auto-estima), um pasticho das idéias leninistas elaborado por seu pai. Segundo a Juche, a nação deve ter absoluta confiança em si mesma, pois as massas são as verdadeiras governantes do mundo.

O ditador também é aficionado do cinema, possuindo uma coleção de mais de 20 mil filmes. Figura folclórica e imprevisível da política internacional, Kim usaria um sósia para aparecer em público e escapar de eventuais atentados. Além disso, usa sapatos especiais, cujas solas, de estilo plataforma, servem para aumentar sua baixíssima estatura.

Sobrevivente de vários golpes militares e tentativas de assassinato, acredita-se que Kim Jong-il sofre de diabetes, e que, no verão de 2008, teve uma apoplexia. As imagens divulgadas depois de meses sem ele aparecer em público o mostraram abatido, mais magro e com possíveis sequelas: o braço esquerdo semirrígido e a mão inchada.

Repetindo o que fez em 2006, o ditador ordenou, no primeiro semestre de 2009, a retomada de testes nucleares e o lançamento de mísseis de longo alcance.
 

Folha de S. Paulo; El País; N. Y. Times