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Maurice Béjart Bailarino e coreógrafo francês

1º de janeiro de 1927, Marselha (França)

22 de novembro de 2007, Lausanne (Suíça)

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

30/11/2007 14h26

O bailarino e coreógrafo Maurice Béjart nasceu em Marselha, no sul da França, em 1º de janeiro de 1927. Seu verdadeiro nome era Maurice-Jean Berger. Apesar de ser formado em Filosofia, dedicou-se à dança desde os 14 anos, seguindo o conselho de seu médico, que considerava a constituição física de Béjart muito frágil. Influenciado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, Béjart dizia que o balé é "um alegre saber".

Depois de fazer sua formação de bailarino clássico em Londres e Paris, onde estudou com os conceituados professores Léo Staats, Madame Egorova e Madame Roussane, passou a dançar nas companhias de Jamine Charrat e Roland Petit. Foi em uma turnê com o Balé Cullberg, no qual dançava desde 1949, que Béjart despertou para a necessidade de se criar coreografias mais expressivas. Assinou a primeira delas em 1952, para o filme sueco "L'oiseau de feu" ("O pássaro de fogo"), em que ele é o principal intérprete.

De personalidade irrequieta e inconformada, Béjart não aceitava que o balé fosse uma arte "separada das massas". Tentando aproximar o grande público e a dança, decidiu inovar e elaborou a arrojada coreografia "Sinfonia para um homem só", sobre a música de vanguarda de Pierre Henry e Pierre Schaeffer. O balé, no entanto, desagradou aos círculos tradicionais de dança e a parcela da crítica. Segundo o coreógrafo Jean-Claude Gallotta, "Sinfonia para um homem só" foi uma revolução "mais sociológica que artística", pois Béjart conservou a técnica clássica, mas transformou a alma do balé em algo sagrado e, ao mesmo tempo, sensual.

Rejeitado na França, o bailarino não desistiu. Instalou-se em Bruxelas, na Bélgica, onde sua coreografia para a "Sagração da Primavera", de Igor Stravinsky, teve um acolhimento triunfal no Teatro Real de La Monnaie. Um ano mais tarde, fundou a companhia Balé do Século 20, grupo que somou êxito após êxito, não apenas na capital belga, mas em inúmeros países.

Das coreografias que assinou ao longo dos anos, tiveram especial repercussão "Bolero" (1960), "Nona sinfonia" (1964), "Romeu e Julieta" (1966), "Missa do tempo presente" (1967) e "Malraux ou a metamorfose dos deuses" (1986).

Depois de uma discussão com Gérard Mostier, diretor do Teatro Real de La Monnaie, Maurice Béjart prosseguiu seu trabalho, a partir de 1987, na Suíça, rebatizando sua companhia com o nome de Balé Béjart Lausanne e, em seguida, Balé Rudra Béjart.

Nos últimos anos, suas criações tornaram-se ainda mais ambiciosas, como nos casos de "Ring um den Ring" (1990), sobre música de Richard Wagner, e "MutationX" (1998), além das coreografias realizadas já no século 21: "Madre Teresa e as crianças do mundo" (2002), "Adeus, Federico" (2003, dedicada ao cineasta Federico Fellini) e "Zaratustra" (2006, inspirada na obra "Assim falou Zaratustra", de Friedrich Nietzsche).

Maurice Béjart também se dedicou ao ensino, compartilhando sua experiência por meio de duas escolas: Mudra, fundada em 1970, na cidade de Bruxelas, e Rudra, criada em Lausanne, no ano de 1992. Um de seus principais ensinamentos está resumido na frase que ele próprio criou, a fim de definir o que é a dança: "Um mínimo de explicação, um mínimo de anedotas e um máximo de sensações".

As companhias de dança fundadas por Béjart atuaram não apenas nos mais famosos teatros do mundo, mas, seguindo o sonho de aproximar o balé das massas, apresentaram-se em estádios desportivos e circos. Béjart criou cerca de 140 coreografias, nas quais somou à dança efeitos teatrais, textos literários e elementos de multimídia, criando uma arte desmesurada, na qual se misturam o cinema, o teatro e a ópera.

Béjart foi condecorado com a Ordem do Sol Nascente (1986) pelo imperador japonês Hiroito, nomeado Grande Oficial da Coroa (1988) pelo rei Balduíno, da Bélgica, e eleito, em 1994, membro da Academia Francesa de Belas Artes.

Nos últimos anos, com a saúde debilitada, seguiu dirigindo sua companhia de balé. Em uma de suas muitas entrevistas, ao ser questionado sobre a proximidade da morte, Béjart respondeu: "Eu creio que a gente morre sempre a tempo. O tempo é contado de maneira diferente para cada um, mas nós morremos a tempo".

Béjart faleceu em 22 de novembro de 2007, aos 80 anos, no Centro Hospitalar de Lausanne, na Suíça. Ao ser informado do falecimento, o bailarino Patrick Dupond afirmou: "Sem dúvida, agora, ele deve estar começando a fazer as estrelas dançarem". E não foi menor o elogio da célebre bailarina italiana Carla Fracci, de 71 anos: "O Deus da dança morreu".

Fontes: "El País", "La Vanguardia", "The New York Times" e "Le Monde".