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Orson Welles Cineasta norte-americano

06/05/1915, Kenosha, EUA

10/10/1985, Hollywood, EUA.

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

20/08/2005 09h04

A notícia de que marcianos haviam chegado à Terra e estavam em Nova Jersey foi transmitida com imenso realismo pela rádio CBS no dia 1o de novembro de 1938 (Halloween). Milhares de pessoas entraram em pânico e começaram a fugir de suas casas ao ouvir os boletins, narrados por Orson Welles. Tudo não passava de pura brincadeira, a leitura dramatizada do texto de "A Guerra dos Mundos", um clássico da ficção científica de H.G. Wells.

A repercussão do evento foi tão grande que, logo a seguir, Orson Welles fechou um contrato milionário com Hollywood para fazer dois filmes, com total liberdade para produzir, escrever os roteiros, dirigir e atuar.

Mesmo tendo dirigido apenas 27 filmes entre os 113 que compõem sua obra, também como ator, roteirista, montador e produtor, George Orson Welles conseguiu inspirar um grande número de admiradores a se tornar diretores de cinema.

Aos 18 anos, Welles já era um ator famoso no teatro experimental. Um ano depois fez sua estréia na Broadway na montagem de "Romeu e Julieta". Logo se tornou amigo do diretor e produtor John Houseman, para quem fez algumas colaborações.

Foi Houseman quem o levou a participar do New York Federal Theatre Project, onde estreou sua primeira montagem na produção e direção (a versão de "Macbeth", de Shakespeare, encenada no Harlem). Da parceira de Welles com Houseman nasceu a companhia Mercury Theatre. Foram vários projetos, destacando-se ''Julio Cesar'', de 1937, em que Welles escreveu o roteiro e ambientou a história na Itália fascista.

O nome de Orson Welles entrou para a antologia das comunicações no ano seguinte com a transmissão da notícia da chegada dos extraterrestres. Mas o que o colocou entre os grandes diretores foi o filme ''Cidadão Kane'', de 1941. Aos 25 anos, Orson Welles revolucionou as técnicas de filmagem com recursos até então inexploradas como profundidade de campo, ação entrecortada num mesmo ambiente, planos longos, movimentos de câmera e edição rápida. O resultado foi uma obra-prima, considerada unanimemente pelos especialistas um dos melhores filmes de todos os tempos, senão o melhor.

Porém, com o sucesso, vieram os problemas. O diretor foi acusado de basear-se na vida de William Randolph Hearst, um dos mais poderosos homens da época e que por 40 anos foi o maior magnata das comunicações nos Estados Unidos. O próprio Hearst encabeçou a campanha contra Welles e seu filme. Chegou-se a cogitar um valor para que fossem destruídos os negativos e todas as cópias.

Felizmente isso não ocorreu, mas apesar de o público e a crítica terem aceitado ''Cidadão Kane'', o filme deu prejuízo no início. Somente nos relançamentos, ao transformar-se num clássico, começou a render dinheiro. Em seu segundo filme, ''Soberba'' (1942), Welles decidiu expor sua visão da sociedade americana. Utilizou praticamente os mesmos recursos técnicos que havia em ''Cidadão Kane''. Assim que concluiu as filmagens, veio ao Brasil para rodar o documentário ''É Tudo Verdade'' .Enquanto isso, nos Estados Unidos, os executivos da RKO decidiram editar ''Soberba'', cortando 43 minutos do original.

Ao retornar, o diretor ficou furioso, mas ainda supervisionou ''Jornada do Pavor'' (1942), e assinou a direção ao lado de Norman Foster. ''Soberba'' foi um fracasso comercial, e Welles e sua equipe foram demitidos.

O reconhecimento da genialidade de Welles só aconteceu muito mais tarde. ''Cidadão Kane'' ganhou o Oscar de melhor roteiro e Welles, em 1970, recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra. Sua filmografia, como diretor ou ator, inclui: ''A Dama de Shangai'' (1948), ''Macbeth'' (1948), ''Othello'' (1952), ''A Marca da Maldade'' (1958). Não se pode deixar de mencionar também "Verdades e Mentiras", de 1974. Welles em toda a sua carreira envolveu-se em projetos diversos e fez tudo para conseguir produzir seus filmes, o que nem sempre era possível. Muitos de seus projetos permaneceram inacabados, como ''It's All True'', e ''Don Quixote'', filme em que Welles trabalhou durante dez anos e que chegou a ser exibido em Cannes em 1986.