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Sargão Imperador da Acádia

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

25/08/2008 23h59

Sargão, o Acádio - também chamado de Sargão, o Grande - é o primeiro personagem da história conhecido por, dentre outros feitos, criar um império. Mas o que sabemos dele baseia-se, principalmente, em relatos poéticos ou lendas.

A própria origem do povo acádio se perde muito antes dos primeiros relatos conhecidos, que falam sobre povos sedentários e nômades que habitavam a Mesopotâmia.

Os acádios eram semitas (ou seja, pertenciam ao mesmo grupo étnico que abrange os hebreus, os assírios, os aramaicos, os fenícios e os árabes) e teriam migrado da Península Arábica em direção à Mesopotâmia, movidos pelas notícias sobre o desenvolvimento das primeiras cidades-estado daquela região.
 

Fundação de Ágade

Sargão (do acádio Sharrum-kin: "rei legítimo" ou "rei verdadeiro") teria sido um líder militar incomparável, além de enérgico administrador, responsável por sucessivas conquistas na região que hoje se estende do sul do Iraque até o norte da Síria, incluindo o Líbano e, também, o sul da Turquia.

Seu império tornou-se um modelo para os governantes que o sucederam, incluindo seu neto, Naram-Sim, que estendeu ao máximo os limites do reino, vencendo uma sublevação de mais de vinte reis mesopotâmicos, além de deificar a si mesmo.

Sargão teria começado sua carreira como um dignitário do rei de Kish, de quem usurpou o trono. Provavelmente, sua legitimidade não deveria ser reconhecida, pois ele transferiu a capital para uma nova cidade, Ágade, que não se identificava com a monarquia anterior. Era o princípio do reino da Acádia. Ágade foi capital do império por 150 anos.

Os relatos épicos que os arqueólogos descobriram aproximam a vida de Sargão à de Moisés: era filho de uma sacerdotisa e, quando recém-nascido, foi colocado numa cesta de vime e enviado rio abaixo, tendo sido criado sob a proteção da deusa Ishtar.
 

Ampliação do império

No início de seu reinado, grande parte da Suméria (sul da Mesopotâmia) estava sob controle do rei Lugalzagesi. Sargão, desejando ampliar seus domínios, ataca a capital do reino, Ur, destrói as muralhas e toma o poder, anexando à Acádia um amplo e fértil território.

A seguir, dirige-se para o norte da Mesopotâmia. As inscrições antigas dão conta de que ele teria dominado as cidades de Mari e Tuttul (na atual Síria), chegando a enviar expedições à Anatólia, às margens do mar Negro. Ao todo, os escritos do rei List - a principal fonte sobre a história da Suméria - citam 34 guerras desencadeadas por Sargão.
 

Administração

Sargão tinha por hábito nomear membros de sua família, que fossem de inteira confiança, para cargos estratégicos. Sua filha Enheduanna, por exemplo, foi nomeada alta sacerdotisa da cidade de Ur, um dos cargos mais importantes da época, e é autora de inúmeros hinos acádios.

Para manter suas conquistas e facilitar a organização do Estado, Sargão cria o primeiro exército profissional de que se tem notícia, centraliza a cobrança de impostos em guarnições militares espalhadas pelo império, emite decretos constantes a todas as regiões e também centraliza o comércio do golfo Pérsico nos portos da Acádia.

O narrador de um dos relatos descobertos, de inspiração nitidamente mitológica, fala como se fosse o próprio Sargão:

Poderosos [mon]tes [...] de bronze conquistei,
As serras superiores escalei,
As serras inferiores [atra]vessei,
As [terr]as do mar três vezes percorri.
[...]
Qualquer monarca que me suceda,
Governe o [povo] dos cabeças negras;
[Conquiste] poderosos [montes],
Escale as serras superiores,
[Atravesse as serras inferiores],
Percorra as terras do mar três vezes!

 

"Historia del Mundo Antiguo: Proximo Oriente y Egipto" (Ana Maria Vazquez Hoys) e "Uma história da guerra" (John Keegan)