Artes

Escultura (1): A arte que representa imagens em três dimensões

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Você já escutou a expressão "o filho é a cara do pai, cuspido e escarrado"? O que a expressão "cuspido e escarrado" pode ter a ver com a idéia de semelhança? Nada.

Na verdade, ela derivou de uma expressão que se modificou com o passar dos anos: "esculpido em carrara", uma referência ao famoso mármore de Carrara, uma região da Itália.

A expressão era utilizada para frisar a semelhança entre pessoas e trazia em si a idéia de verossimilhança das esculturas gregas.

"Esculpir", segundo os dicionários, significa imprimir, cinzelar ou entalhar (figuras, ornamentos) em matéria dura ou macia (pedra, argila, areia etc.) e Carrara é o nome de uma cidade italiana que, até hoje, extrai mármore e o comercializa. Daí a expressão "esculpido em carrara". A maior parte dos objetos gregos antigos, considerados como obras de arte, são esculturas em mármore.

A imagem do Doríforo demonstra bem a preocupação dos gregos antigos em representar a figura humana de forma proporcional e realista. Esse é o princípio da verossimilhança.



Volume

O trabalho realizado por um escultor, aquele que esculpe, é a escultura, que também pode ser definida como a arte que representa imagens em três dimensões, ou seja, com volume, ainda que apenas relevos. Trata-se de uma forma de arte tridimensional.

Em relação à pintura, essa é uma diferença significativa, pois a pintura ou o desenho são obras de arte bidimensionais. Ou seja, com duas dimensões, altura e comprimento, não há volume.

Agora, imagine uma escultura. Provavelmente, passaram várias imagens em sua mente, imagens de estátuas em pedra ou bronze, ou peças em argila ou cerâmica. Alguns podem ter ido mais longe e visualizado esculturas em areia, gelo ou sucata. Contudo, você, por acaso, imaginou uma escultura feita de ar como a da imagem acima?

Nesta escultura, o artista foi tão além na idéia de esculpir que realizou uma obra onde o ar é a matéria-prima. A movimentação do público e do próprio ar modelam a escultura, que não possui, assim, uma forma única, estática.

Com este exemplo podemos perceber até onde pode ir a imaginação e a criação dos artistas. Todos os tipos de escultura que você imaginou, que foram citados aqui, com ou sem movimento e outros mais, foram realizados e reinventados por artistas ao longo da história desta que é considerada a terceira das artes clássicas.




 

Valéria Peixoto de Alencar*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação *Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e cursa o mestrado em artes no Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livro "Arte-Educação: Experiências, Questões e Possibilidades" (Editora Expressão e Arte).

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